A verdade e o medo – o outro lado das civilizações

Ponta de Lança Em matérias desportivas, encontramos permanentemente o refúgio no silêncio, algumas vezes bacoco, para evitar o confronto com a verdade; basta perguntar qual o vencimento de qualquer atleta profissional e o interlocutor começará de imediato a assobiar para o lado, que é como quem diz, a evitar a resposta. Mas se a investigação ou curiosidade forem além disso, se abordarem favores, corrupção, etc., é comum obterem-se subtilezas do género da máxima espanhola “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” e, como se sabe, vem do latim tardio medieval, ‘brousiare’ que significa queimar, e mais tarde no italiano, ‘brociare la strega’, ou queimar a bruxa, mas com origem no grego ‘brouchos’, que quer dizer larva de borboleta, ou seja, seres dispostos a uma metamorfose.

É aqui que estamos; na era da metamorfose, acelerada, moldada pela verdade que não se expressa (a formal, a da coerência das proposições, e a material, conformidade dos enunciados e dos factos) e pelo medo que a condiciona. Assim, predomina a dúvida, a incoerência, a incerteza. Trata-se quase de uma metamorfose camaleónica, de acordo com as circunstâncias!

No permanente movimento de aperfeiçoamento das civilizações estamos também nesse nó górdio, o da metamorfose. A expressão, mesmo a liberdade de expressão, é-o com medo da própria verdade! Afinal o que é a liberdade? O que é a expressão? Que formas de expressão? Ir pela rua e amassar ao pontapé ou pôr fogo a um automóvel encaixa-se ou não na liberdade de expressão (expressão da revolta que me vai na alma, por exemplo)?

Pensamos que a reflexão poderá ser feita na análise da verdade que encerra o absoluto e o relativo. Actualmente os estados de civilizações (oriente, ocidente, americano…) não têm fronteiras, eles estão nos automóveis incendiados em Paris, nas ruas e bairros periféricos de Lisboa, nas avenidas de Nova Iorque… já estão aí árabes, indo-asiáticos, europeus! O problema é que, enquanto vários sectores das sociedades relativizam o absoluto, em nome e consequência dos ideais da Revolução Francesa, com movimentos laicistas e laxistas, muitas outras sociedades absolutizam o relativo, em nome do Absoluto, com movimentos teocráticos.

Ora, parece-nos que o equilíbrio só poderá estar na definição e aceitação da verdade como pressuposto para a compreensão. E não será com campeonatos de futebol euro-arábicos que lá vamos, porque as razões são mais profundas! E como ninguém gosta de perder…na melhor das hipóteses continuaremos empatados!

Desportivamente… pelo desporto!