A verdade que liberta

“Quem segue o Senhor ama a Verdade; e a Verdade o libertará” – canta-se a partir da Palavra e traduz uma vivência indiscutivelmente gratificante. De facto, deixar-se “esventrar” e guiar pela “luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo” confere harmonia ao desenvolvimento pessoal, consolida uma integração social sem sobressaltos, garante uma teia de relações saudáveis…

A transparência de vida, que liberte de receios de virem a ser proclamadas sobre os telhados atitudes, decisões, mesmo pensamentos, perversamente vividos às ocultas, é um caminho de equilíbrio espiritual e psíquico, constituído o melhor antídoto para todas as perturbações psíquicas e dificuldades de inserção social.

Esta é a liberdade que faz brilhar o olhar, que descomprime o coração, que supera todas as barreiras de preconceitos e reservas, que estimula os compromissos e credita a palavra dada. A Verdade, que constrói este caminho de liberdade, é o caminho para refazer o tecido social, tornando-nos servos uns dos outros, sem sentirmos qualquer espécie de abusiva “utilização” de quem quer que seja por quem quer que seja.

Esta é a Verdade que leva a amar! Traduzida na prática quotidiana, às vezes ousada e mesmo heróica, da transparência política, económica, social, psicológica, religiosa… Urgente, mais do que nunca, num clima de águas turvas, em que as meias verdades servem a conveniência de alguns, iludindo as expectativas de muitos.

Necessária nas famílias, nas empresas, no confronto político, nas propostas de desenvolvimento, nos projectos de governação, mesmo nos planos de revitalização das comunidades cristãs! Promessas que possam cumprir-se, intenções que não se tornem traições nem acarretem desilusões! Águas límpidas, onde todos possamos perceber o rumo que levamos, se podemos nadar ou temos de seguir a pé, se contamos com escolhos ou se temos um curso livre…

Há uma desintoxicação fundamental a fazer, já que, em tempos de crise, tudo pode ser mais complicado, se não congregarmos o interesse, a cooperação, o empenho esperançoso de toda a gente. O clima de mentira conduzirá, inexoravelmente, a uma situação de impossível ou muito difícil retorno. Quebrada a confiança, tarde ou nunca voltará a respirar-se a credibilidade, quer de pessoas quer de instituições.

É suicida a estratégia das meias verdades, porque ela tornará a mentira bem mais consistente e irrecuperável, como bem cantava o nosso poeta Aleixo: “P’ra mentira ser fecunda / e atingir profundidade, / tem que trazer à mistura / qualquer coisa de verdade”. Os resíduos de verdade são a melhor forma de creditar a mentira!