Têm surgido, nos últimos dias, não com o relevo devido, mas com a coragem de quem quer gritar que a vida é possível, factos noticiados de graves frustrações subsequentes à opção pelo aborto. Como também vêm à luz do dia expressões reais de amor à vida, de apoio incondicional à vida, especialmente àquela que surge em circunstâncias imprevistas, por falta de educação, por inconsciência, por imaturidade. Em tudo se pressente um encanto pela vida gerada, que clama respeito.
Não é alienação! É a experiência da vida que se não deixa prender, que se furta a todas as leis que a pretendem determinar, que a querem cercear!… Por isso, me faz pena a miopia de tantos, que julgam ganhar a vida fechando-se à presença de Deus, ao Seu projecto, relegando-o para o esquecimento ou imaginando poder destruí-lO.
Surpreendeu-me o senhor Presidente da República. Não pelo cumprimento do seu dever de marcar um referendo; mas pelo uso dos mesmos termos equívocos com que nos querem ludibriar. De facto, não se trata de interromper a vida, porque ela não se pode retomar; trata-se de a suprimir. Na verdade, não se trata de despenalizar uma atitude criminosa; trata-se de a legalizar.
O aborto, quando “legal” por necessidade de dirimir conflitos, está legislado. Estando em causa o risco de vida da mãe, a geração criminosa, a inviabilidade do feto, já há suporte jurídico que o permita. Só que, nessas circunstâncias, tem de haver um juiz, tem de haver uma justificação fundamentada.
Entregar simplesmente à vontade de quem o entenda terminar com uma vida indefesa é colocar toda a vida sob a hipótese da arbitrariedade. Que acrescenta ser mais uma semana ou menos uma semana? Por que se não fará o mesmo, se uma doença incapacitante se manifestar depois do nascimento? Por que se não fará o mesmo, quando, porventura, a mudança de condições sociais ou psicológicas tornar indesejado quem já viu a luz do mundo?… E, pela mesma ordem de ideias, por que não eliminar quem já não é “útil” ou se tornou um peso para o comodismo?… Para quê a terapia da dor, os cuidados paliativos?…
A vida é um hino de felicidade, mesmo quando acontece sem consciência! Transforma corações empedernidos, acende aconchegos calorosos, desencadeia ondas de esperança e solidariedade. Apoiai a vida, senhores governantes! E vereis que os dramas sociais, que usais para legislar contra a vida, se esboroarão como gigantes com pés de barro! E, ao menos, deixai que possam sonhar a vida como projecto de Deus aqueles que têm essa convicção!
