Questões Sociais A acção social mais conhecida é a das grandes manifestações, geralmente contestatárias do governo, do patronato e do capitalismo. Porém, existem pelo menos três outros tipos de acção sindical: a de negociação; a de base; e a não expressa.
A acção sindical de negociação consiste no trabalho realizado pelas organizações sindicais, nas «mesas de negociação», com vista à «regulamentação colectiva do trabalho» ou à solução de problemas que vão surgindo. A negociação acontece a nível das centrais sindicais (sobretudo na «concertação social»), bem como nos diferentes sindicatos, nas respectivas federações ou uniões e até nalgumas empresas. É de notar que este sindicalismo implica um trabalho de enorme exigência no estudo dos problemas, na auscultação dos trabalhadores, na procura de consensos, na formalização de propostas, no ajustamento das mesmas, nas conversas informais com representantes de entidades patronais e do Estado…
A acção sindical de base consiste nas relações entre os representantes sindicais e os trabalhadores e empresários. Visa a solução dos problemas que vão surgindo nos locais de trabalho, o cumprimento da legislação laboral, a conciliação de interesses, a estabilidade no emprego, a colocação de desempregados, a dignificação do trabalho… Debate-se diariamente com a procura de equilíbrio entre a dimensão social e a económica, dentro da empresa.
A acção sindical não expressa é realizada por trabalhadores que, independentemente de filiação sindical, dialogam e cooperam com os colegas e com as entidades patronais no dia-a-dia, procurando evitar e resolver problemas laborais. A opinião pública dominante menospreza esta realidade para-sindical, por alegado «colaboracio-nismo»; no entanto, ela constitui um dos grandes sustentáculos do mundo laboral, pois brota da própria realidade, aproxima-se bastante do sindicalismo de base e poderia contribuir para a melhor aceitação e desenvolvimento deste e do sindicalismo em geral. Observa-se especialmente nas empresas familiares e nas outras de menor dimensão, bem como nas pequenas unidades produtivas que não chegam a formalizar-se como empresas. Tem como lastro comum, aos trabalhadores e empresários, a luta básica pela subsistência.
Não vem sendo fácil a convergência destes quatro tipos de acção sindical; daí deriva o risco de menor eficácia e de perda de credibilidade. Por isso, torna-se imperioso todo um esforço permanente de actualização e de inserção nas realidades laborais.
