A sociedade é “pouco sociedade”, porque “fragmentou e diluiu a relação entre as pessoas, instaurando o culto de um feroz individualismo, porque criou uma falsa ideia de liberdade e igualdade, de felicidade, determinando as pessoas através de um consumismo programado e esgotante, que as torna extremamente frágeis” – concluíram os delegados da Acção Católica Rural (ACR), no último fim de semana, em Viseu, na V Assembleia Nacional de Delegados.
No comunicado final, intitulado «Sonhar, Desenhar e Construir o Futuro», sublinhou-se ainda que a sociedade “é pouco moderna, porque, à orgânica de grupos e sociedades, fez suceder um turbilhão do espontâneo, do imediato, do provisório; porque substituiu a organização do pensamento, a escala de valores, pelo relativismo, pelo pragmatismo, pelas emoções voláteis”.
Com a colaboração de D. Manuel Clemente, bispo do Porto, e de Paula Abreu e Vera Inês, os delegados da ACR propuseram-se “dar consistência às Equipas existentes, pela sua estruturação e liderança, como laboratórios de fermento em ordem a reconstruir o tecido das relações” e “Investir fortemente na formação generalizada e aberta (do cultural ao cívico, do personalista ao cristão)”.
A proposta da Igreja terá que ser a do “refazer criativo das relações humanas, a cultura da solidariedade, por um paradigma de primazia à pessoa, como ser em relação, pela experiência de grupo como espaço de vida por excelência, pela oferta de uma ecologia mais equilibrada da existência” – apelaram os participantes.
Ao nível da riqueza do movimento, os delegados da ACR realçaram “a renovação e o equilíbrio já alcançados, na mistura dos níveis etários, na participação de homens e mulheres, em alguns hábitos de programação”. No lado oposto, sentem que algumas equipas são frágeis e com “certo défice cultural”.
Com o intuito de melhorar o rumo da ACR, propõem “reforçar a interpelação e motivação aos mais novos, com relevância para os casais dos 25 aos 40 anos” e “envolver em projectos grupos de Análise, Revisão e Acção (GARA) com clara incidência de intervenção social”.
A Assembleia elegeu ainda a Equipa Nacional para o triénio 2007-2010 cujo núcleo é composto por Ângela Almeida, Vitor Martins, José Vieira e Raquel Bernardino.
