Poço de Jacob – 14 Eu acredito na força de muitas formas de oração, desde a “lectio divina” e a Liturgia das Horas, unidas à Eucaristia, até ao Rosário… Não é por mero acaso que ornamentam a tradição orante da Igreja. Mas o perigo da distracção leva a pensarmos na eficácia destes momentos que dedicamos ao Senhor. Santa Teresa chama à imaginação a “louca da casa”. Na verdade, a questão de nos distrairmos vai mais além da concentração intelectual. Para gregos e romanos, o culto não tinha a ver com moral e ética. O Templo era uma realidade e a vida cá fora outra. Completamente distinta. Com o cristianismo, vemos que a fé, sem obras, é morta. A distracção na vida espiritual é o perigo que temos de não ir ao fundo das questões. É ficar no rito, no preceito cumprido, no dízimo bem pago, no sacrifício oferecido.
Quando Jesus diz à Samaritana que virá o tempo em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar em espírito e verdade, sublinha o essencial. Sem negar o acessório, o ritual e o seu valor, Ele vai à intenção que molda a qualidade do que se faz: a disposição e predisposição para vivermos na presença do Senhor, completamente desarmados de preconceitos e desejos. Estar ali, disponível, para Ele amar em mim e amar-me a mim. Fazer de minha vida uma aventura de condução. O Espírito é quem me guia para que a minha acção corresponda ao meu pensamento. Isto é a verdade em espírito. E é o espírito da verdade. Ser “eu” do jeito que Deus me vê e pensa em mim. Isto molda a personalidade do homem santo e honra a Deus. No fundo, é deixar que o Espírito de Deus reze e actue em mim, como S. Lucas diz que actuava em Jesus. Deixa o Espírito dar Vida em ti…
P.e Víctor Espadilha
