Livro O que a Civilização Ocidental Deve à Igreja Católica
Thomas E. Woods Jr.
Ed. Aletheia
274 páginas
“Quando se trata ridicularizar ou de parodiar a Igreja católica, poucas coisas são consideradas excessivas pelos meios de comunicação e pela cultura popular americana”, escreve Thomas E. Woods Jr. na abertura de “O que a Civilização Ocidental Deve à Igreja Católica” (edição da Aletheia). Quem diz cultura americana, diz europeia.
Porém, quem conhece um pouco da história bimilenar da Igreja sabe que o seu contributo para o mundo é enorme. Incomensurável. Aliás, é difícil conhecer verdadeiramente a História da Igreja sem se deixar envolver pela continuidade da mensagem cristã. Sem a admirar. Tal como, admito, é difícil conhecer verdadeiramente a História da Igreja a partir do exterior, com base nos preconceitos prevalecentes.
Mas este não é um livro de história. É um livro de apontamentos sobre os contributos do catolicismo para a continuidade da civilização entre Império Romano e Idade Média para o aparecimento das universidades, estilos de arquitectura, ciência moderna, direito internacional, ciência económica, moral humanista, solidariedade social…
Ficamos a saber, por exemplo, que há trinta e cinco crateras da Lua com nomes de cientistas e matemáticos jesuítas (que foram os que mais aproveitaram o telescópio de Galileu), ou que a ordem beneditina, além de ter dado à Igreja 24 papas e 1500 santos e de ter acolhido no seus claustros 20 imperadores, 10 imperatrizes, 47 reis e 50 rainhas, só até ao século XIV, secou pântanos, desviou rios para tornar os campos mais férteis, ensinou a cultivar, criou indústrias. Provavelmente, ninguém terá feito tanto pela unidade europeia como a sua rede de mosteiros, por onde circulavam livros, homens e técnicas. Foram centros de difusão de sabedoria, num tempo que, preconceituosamente, foi apelidado de Idade das Trevas e também Idade Média. Era escolas superiores de agricultura.
Este livro é para quem gosta da Igreja. Para crentes que querem ter mais razões. Para descrentes sem preconceitos. Para quem não acredita mas quer “ver se”. Para quem gosta de história. Para professores que de vez em quando são interpelados. Para quem está farto de ouvir falar do caso Galileu e da “ignorância, repressão e estagnação da Igreja”. Para quem suspeita que não tenha sido bem assim. Para uma saudável apologética. Para compreender muitas das aquisições com que lidamos todos os dias. Na origem delas, pode bem estar um monge da Idade Média.
J.P.F.
