Adoro-Te com amor, ó Deus escondido

Adoro-Te com amor, ó Deus escondido

Que, sob estas espécies, verdadeiramente estás presente;

Dou-Te o meu coração inteiramente

Em Tua contemplação estou rendido;

A vista, o tacto, o gosto nada sabem.

Só no que o ouvido sabe se há-de crer.

Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer.

Nada mais verdadeiro pode ser

Do que a própria Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta a divindade,

Aqui também o está a humanidade.

E, contudo, eu creio e o confesso

Que ambas aqui estão na realidade;

E o que pedia o bom ladrão, eu peço.

Não consigo ver as Tuas chagas, como Tomé,

Mas confesso-Te meu Deus e meu Senhor!

Faz-me ter cada vez em Ti mais fé,

Uma esperança maior e mais amor.

Ó memorial da morte do Senhor,

Pão vivo que ao homem dás a vida!

Que a minha alma sempre de Ti viva!

Que sempre lhe seja doce o Teu sabor!

Senhor Jesus, doce pelicano!

Lava-me com o Teu sangue a mim, imundo,

Com esse sangue do qual uma só gota

Pode salvar, do pecado, todo o mundo.

S. Tomás de Aquino

S. Tomás de Aquino (1226-1274), monge dominicano, nasceu no Sul de Itália e ensinou nas universidades de Paris e Nápoles. O pensamento filosófico e teológico de S. Tomás, durante anos e anos, foi considerado doutrina oficial da Igreja Católica.

Menos conhecidos são os seus textos oração e poesia, como este, que foi citado por D. António Marto, no Congresso Eucarístico da Diocese de Aveiro.

A memória litúrgica de S. Tomás celebra-se a 28 de Janeiro.