Água viva para todas as sedes

À Luz da Palavra – 3º Domingo da Quaresma – Ano A A liturgia deste domingo apresenta-nos, sob a simbologia da água, o constante dom de Deus, oferecido em Jesus Cristo, no decurso da nossa história pessoal e comunitária. Este dom atinge a sua máxima plenitude na entrega que Ele nos faz do seu Espírito.

A primeira leitura fala-nos da caminhada dos hebreus pelo deserto, a qual é figura da nossa própria caminhada pela vida, e dá-nos a chave para entendermos a pedagogia de Deus, manifestada em cada episódio da história da salvação. Se estivermos atentos, todos os dias fazemos a experiência de um Deus libertador e salvador, situado do nosso lado, a estender-nos a mão, para nos ajudar a passar da escravidão para a liberdade. Ao atra-vessarmos o deserto da vida, sentimo-nos, frágeis e limitados. Muitas vezes experimentamos dificuldades, sofrimentos e desencantos, face aos acontecimentos da vida e face aos nossos companheiros de viagem. Nesses momentos, tendencialmente duvidamos do amor de Deus. Mas o texto que hoje lemos assegura-nos que Deus está ao nosso lado, a oferecer-nos, com gratuidade e amor, a água que mata a nossa sede de vida e de felicidade. Como costumo reagir diante dos constrangimentos da vida? Esforço-me por confiar sempre em Deus, apesar de tudo?

A terceira leitura apresenta, também, a temática da água viva, que Jesus oferece à Samaritana. Habituámo-nos a esperar do mundo, modernizado pela ciência e pela técnica, todas as respostas às nossas necessidades. Porém, as respostas da modernidade não são susceptíveis de silenciar as nossas sedes de felicidade, de plenitude, de eternidade. O evangelho assegura-nos que só Jesus Cristo oferece a água que mata definitivamente a nossa sede. Quem acolhe o dom de Deus, recebido no baptismo, e aceita seguir Jesus como “o salvador do mundo”, torna-se um Novo Ser, que vive do Espírito e que caminha ao encontro da vida plena e definitiva. Que consciência prática tenho eu do meu baptismo? Experimento que ele é a fonte donde promanam todas as graças que me conduzem na via da santidade? Procuro em Jesus Cristo a “água” que mata as minhas sedes?

A segunda leitura repete o ensinamento da primeira leitura: Deus acompanha o seu Povo em marcha pela história e, apesar do pecado e da infidelidade, insiste em lhe oferecer a salvação, de forma gratuita e incondicional. Este texto convida-nos a contemplar o amor de um Deus que nunca desiste de nós e que sabe sempre encontrar formas de vir ao nosso encontro e de caminhar connosco. Vivo uma relação diária de intimidade com Deus, ou só o procuro nos momentos de dificuldade? Experimento a amizade com Deus, através da pessoa de Jesus Cristo, que é a plena expressão do amor de Deus?

Leituras do 3º domingo da Quaresma – Ano A: Êx 17,3-7; Sl 94 (95); Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42

Deolinda Serralheiro