Ainda a Família

Revisitar o Sínodo Diocesano O lema de trabalho, na nossa Diocese, para o próximo ano apostólico – já tomámos consciência disso – orienta as nossas energias para o serviço à Família, célula fundamental da Sociedade e da Igreja. Sensível ao que se diz, pensa e decreta, interpretando a situação real da Família como uma forte interpelação à ousadia e criatividade, a Igreja Diocesana tem de dar sinais de referência, mesmo sabendo que será motivo de controvérsia.

O II Sínodo Diocesano desenhava como segue o objectivo pastoral nesta área, “reconhecendo o valor intrínseco da comunidade conjugal e familiar e o seu papel insubstituível na sociedade e na Igreja”.

“1. Evangelizar as famílias, para que tomem consciência da sua vocação e realizem a sua missão na Igreja e no mundo.

2. Despertar os adolescentes e os jovens para a grandeza da vocação ao amor e para o Matrimónio, enquanto forma mais comum de realizar essa vocação.

3. Preparar, com maior atenção e cuidado, os noivos para a vida conjugal e familiar e para a prática do diálogo e da oração em família.

4. Acompanhar os casais e famílias no seu itinerário psicológico e espiritual, a fim de que sejam verdadeiras comunidades de amor e de vida.

5. Dar atenção prática às famílias e aos casais que se encontram em situações especiais e difíceis, nomeadamente os divorciados-recasados, os separados por razões de trabalho, os que têm filhos com deficiências graves…

6. Estar atento e sensível ao que sobre a família se diz, se escreve, se pensa e se decreta.”

Lugares comuns, diremos nós, estas metas propostas pelo Sínodo. Plenas de actualidade, nos dias que vivemos. Mas também fonte de incómodo, de sofrimento…, se quisermos ser fermento, diferente da massa em degradação, se quisermos lutar contra a corrente, para bebermos a água pura da nascente, respirarmos e transmitirmos saúde espiritual e psíquica, cumprindo a missão de preservarmos e regenerarmos a espécie humana, pelos vistos a única que não preocupa os “vigilantes da natureza”.

E isto não se faz nas grandes assembleias, nem sequer nos grupos habituais de “catequese” ou “formação”. Faz-se essencialmente pela multiplicação de cristãos atentos e solícitos na ajuda fraterna, pela proximidade aos adolescentes e jovens, aos noivos, às famílias reais e concretas, com situações de sol ou em tardes carregadas de nuvens, para que a fonte de vida não queime as esperanças, para que a tempestade não redunde em catástrofe. Abrir os olhos para os princípios irrenunciáveis e permanentes!… E, depois, acompanhar a vida, a prática quotidiana, para que o ideal se assuma progessivamente.

Querubim Silva