Diversidade que enriquece

À Luz da Palavra – Domingo de Pentecostes – ANo B A liturgia do domingo de Pentecostes incide sobre o modo como os discípulos do Senhor e toda a multidão dos fiéis se aperceberam da acção do Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, cuja missão é ser o princípio de santificação e o distribuidor de todos os dons e carismas que enriquecem a Igreja. Porém, a sua acção não se confina ao interior da comunidade crente, pois o Espírito actua em toda a pessoa que decide empreender alguma obra boa para bem da humanidade.

A primeira leitura narra o que aconteceu no dia de Pentecostes, por ocasião da festa judaica das Semanas. Os discípulos e discípulas do Senhor estavam reunidos no mesmo lugar, em oração, quando, de repente, um som semelhante a uma forte rajada de vento encheu toda a casa; e eles viram aparecer uma espécie de línguas de fogo, ficando todos cheios do Espírito Santo e começando a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Então, de temerosos e tímidos, ficaram cheios de tal energia espiritual, que, doravante, conseguiram dar testemunho de Jesus em todas as partes do mundo, até ao martírio de sangue. Acredito que sou habitado (a) pelo Espírito Santo, que me assiste desde o meu baptismo? Como manifesto esta energia espiritual?

O evangelho afirma-nos que o Espírito Santo é fruto da morte e ressurreição de Jesus. Por isso, Jesus comunica-nos o Espírito Santo logo na manhã da sua vitória sobre a morte, como dom de Deus, que restabelece a Aliança que Ele faz connosco e que se quebra pelo pecado. O Espírito Santo é o dador do perdão e da paz que se lhe segue. É Ele que reconcilia e refaz o tecido das nossas relações com Deus e com os irmãos e irmãs. Não é fácil vivermos em harmonia… e as pessoas e sociedades vivem mergulhadas em discórdias, raivas, vinganças. Quem nos poderá reconciliar? Só o Espírito de Deus, trabalhando em nós, em oposição ao espírito do mal, a quem chamamos diabo, porque divide. Quantos sofrimentos causados por ódios, vinganças, rancores, porque o Espírito, o doce hóspede, é, muitas vezes, ignorado por nós, crentes. Tenho consciência de que sou possuído (a) pelo Espírito Santo? De que modo colaboro com Ele na acção reconciliadora a que sou chamado (a)?

A segunda leitura insiste em que só o Espírito Santo nos pode unificar na diversidade de talentos e de acções que realizamos. Somos muito diferentes uns dos outros, de facto, mas, se nos deixarmos conduzir pelo Espírito, havemos de descobrir em cada irmão e irmã um dom de Deus, uma revelação do seu amor, para construir a tarefa comum, o Reino. Todos nós formamos um só Corpo, o de Cristo, porque nos foi dado a beber do mesmo Espírito. Como integro eu, no único projecto salvador, as diversidades de cada irmão e irmã? Tenho tendência a reduzir tudo à uniformidade, ou consigo descobrir a riqueza do diferente?

Leituras do Domingo de Pentecostes: Actos 2,1-11; Sl 104 (103); 1 Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23

Deolinda Serralheiro