“Alarguei os meus horizontes”

Férias missionárias em Angola Pedro Neto, 24 anos, arqueólogo free-lancer e professor de EMRC, de Santa Catarina, Vagos, viveu a sua experiência missionária em Lwena, Angola, de 22 de Julho a 25 de Agosto. Em pleno mês das Missões – Outubro –, aqui fica o relato, na primeira pessoa, destes dias muito intensos vividos com os missionários salesianos espanhóis e uruguaios, no meio de um campo de refugiados, na construção de escolas e na animação de comunidades.

«Ajudei na construção de escolas. É uma construção muito rápida: alicerces, quatro paredes e um telhado. Faltam as carteiras, mas essas já foram num contentor que chegou há dias a Luanda. Agora é só desalfandegar. Além disso, colaborei em cursos bíblicos para catequistas e dei explicações de história. Como era história angolana antes da colonização, tive de fazer uma noitada para estudar sobre as tribos Ngola e Nzumbi.»

«Em termos humanos, o trabalho mais forte foi num campo de refugiados, perto da fronteira com a Zâmbia, que acolhia angolanos que tinham fugido de Angola e agora regressavam . Para quem está na Europa, estes campos são coisas de notícias, muito distantes e abstractos. Aqui pude contactar com pessoas que não tinham mais nada além de dois sacos, um almofariz e um pilão; e mesmo assim estavam contentes. Não havia ressentimentos contra os causadores da guerra. Não havia rancor.»

«Nos campos de refugiados [onde as pessoas aguardavam até seguirem para as suas terras] fiz trabalho de logística, distribuí alimentos e até fiz de médico. As pessoas chegavam em camiões da ONU, depois de horas de viagem, cheias de dores de costas e de barriga. Para as questões mais complicadas havia uma enfermeira.

Quando atravessávamos campos minados – assinalados com varas de ponta vermelha pelas ONG de desminagem –, íamos em silêncio. Felizmente nunca houve problemas.»

«Marcou-me muito a vida e o desapego dos angolanos – a falta de tudo sem terem falta de nada. Depois de ter estado em Angola, vivo com mais gratidão e sinto que cresceu a minha fé. Mesmo quando algo me corre mal, não é suficiente para eu desanimar. Alarguei os meus horizontes com o que vi lá. Vivo melhor a minha missão aqui.»