XXIX Domingo Comum – Ano C

À Luz da Palavra A Palavra que a liturgia deste domingo nos apresenta convida-nos a alimentar uma relação estreita com Deus, uma comunhão íntima, um diálogo insistente: só desta forma nos será possível aceitar os projectos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos, acreditar no seu amor.

O evangelho sugere que Deus não está ausente, nem fica insensível diante do sofrimento do seu povo… Os cristãos e as cristãs hão-de descobrir que Deus os ama e que tem um projecto de salvação para todos. Esta descoberta só pode fazer-se na oração, através de um diálogo contínuo e perseverante com Deus, vivido na fé viva e esclarecida. “Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?”. Esta pergunta inquietante, coloca-a Lucas na boca de Jesus, no final desta leitura. A questão da existência ou não de fé, no contexto deste evangelho, encontra-se relacionada com a oração, feita com assiduidade e perseverança. Hoje, apesar de se verificar uma maior procura de tempos de silêncio e de recolhimento, há, ainda, muitos cristãos e cristãs que não têm tempo para rezar, salvaguardando, como é óbvio, muitas e boas excepções. E isto, porque a própria vida profissional e pastoral é muito agitada e as exigências técnicas e pedagógicas são tantas, que não deixam tempo suficiente para a oração e, em alguns casos, quase a substituem. Será que a nossa fé é bastante grande para percebermos que, sem tempos diários de oração, a nossa existência, preenchida com tudo o que fazemos de bom para nós e para os outros, pode arriscar-se a ser apenas natural, sem alcance divino, e por conseguinte, caduca?

A primeira leitura fala-nos da vitória de Israel sobre os Amalecitas, alcançada não tanto pela força das armas, mas e, sobretudo, pela oração contínua de Moisés, feita no cimo da colina. É bem claro que o conceito que o povo bíblico tinha de justiça, feita por suas próprias mãos e, através da guerra, não pode ser o nosso de hoje, embora a conjuntura actual nos mostre idênticas concepções e práticas bélicas. Os cristãos e as cristãs esclarecidas insistem mais no diálogo e nas negociações diplomáticas, apelando a que se deixe cair o recurso a qualquer tipo de armamento. Contudo, o que a Palavra de Deus nos quer inculcar é o valor da oração. Mas, será que ainda há fé sobre a terra, de modo a que os homens e as mulheres dos nossos dias acreditem que, pela oração, conseguem de Deus o impossível aos olhos humanos? É esta a grande questão.

A segunda leitura, fala-nos do valor da oração feita a partir da Bíblia: ela ensina-nos, persuade-nos, corrige-nos e forma-nos segundo a justiça. Por isso, Paulo acon-selha-nos a viver desta Palavra, a proclamá-la, insistindo a propósito e fora de pro-pósito, a argumentar, ameaçar e exortar com a Palavra inspirada, com muita paciência e boa doutrina. Sendo esta a Palavra com que Deus nos indica o caminho da vida plena, ela deve assumir um lugar preponderante na nossa experiência cristã. A nossa diocese está muito empenhada na formação cristã de todos nós. A fonte de toda a formação cristã é a Bíblia. Tenho uma Bíblia em casa? Conheço-a? Leio-a e rezo a partir dela? Falo da mensagem bíblica a outras pessoas? Ajudo-as e conforto-as com palavras inspiradas? Procuro participar em encontros e cursos que me ajudem a conhecer a Palavra de Deus? Neste domingo, e no contexto da formação cristã, vou comprometer-me a empregar algum meio para melhor estudar e orar a minha Bíblia.

XXIX Domingo Comum

Ex 17,8-13; Sl 121 (120),1-8; 2 Tm 3,14-4,2; Lc 18,1-8