Alerta da reitora na abertura do ano lectivo

Corte no orçamento da UA No ano lectivo que agora se inicia, a Universidade de Aveiro “é penalizada em 6,8% e a possível cativação de 7,5% sobre a receita das propinas”, denunciou o presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro, Luís Ricardo Ferreira, na sessão solene de abertura do ano académico, decorrida no dia 27 de Setembro.

A reitora da Universidade de Aveiro, Maria Helena Nazaré, alertou para a “hipótese de falência para várias instituições, dada a enormidade do corte orçamental deste ano. Muitas dessas são o esteio do desenvolvimento das regiões onde se inserem. Qual o significado de as deixar afundar? Enganou-se o País colectivamente? E apagam-se dezenas de anos de esforços e deitam-se fora milhões de escudos ou de euros de investimento público? Sem resposta adequada, atrevo-me a lembrar que é incomensuravelmente mais fácil destruir que construir”.

Maria Helena Nazaré afirmou que “o ciclo económico desfavorável que temos vindo a enfrentar, continua a agravar-se, afectando, consequentemente, as nossas condições de trabalho. Temo que estejamos perto da ruptura. Esta situação exige de todos maior dedicação e sacrifício pessoal”.

A par dessa situação, a reitora sublinhou que “as taxas de desemprego dos licenciados mostram que Portugal não se tem revelado capaz de aproveitar o conhecimento disponível em benefício do desenvolvimento económico. Esta situação, a manter-se, fará certamente perigar o modelo social que todos prezamos e defendemos. Torna-se, então, necessário quebrar este ciclo, revitalizar o crescimento, investindo na sociedade do conhecimento como fonte do dinamismo necessário à economia”.

Para Maria Helena Nazaré, em Portugal, as universidades são responsáveis pela investigação científica, “cujos resultados poderão dinamizar a economia, e pela formação dos activos capazes de inovar e lidar com o conhecimento novo. Para além disso, a Universidade também se vem assumindo como capaz de, com qualidade e bom senso, coordenar a tão necessária formação pós secundária”. Mas isso “implica a exigência de qualidade, em todas as intervenções e, em particular na pesquisa científica, a qual não deve ser realizada se não for de reconhecida qualidade. A investigação, que seja de excelência, é essencial ao país e deve ter condições para prosseguir. Isso implica grande rigor e transparência na atribuição e utilização dos dinheiros públicos. É bom que recordemos que os docentes universitários são os investigadores em Portugal. Falar em orçamento para a Ciência que não tenha em consideração esta realidade é falácia. Ciência de qualidade tem um requisito primordial: a qualidade de quem a faz”, afirmou a reitora da Universidade de Aveiro.

Minha Pátria é a língua portuguesa

“Na história da nossa colonização, a língua portuguesa manteve-se como a ponte entre a metrópole e as colónias, separadas e unidas umas ás outras por oceanos sem fim, e, mais tarde, com a descolonização, foi ainda a língua a afirmar-se como matriz da unidade e da identidade dos novos países lusófonos, alguns deles constituídos por múltiplos povos de diversos matizes culturais, linguísticos e religiosos”, referiu Maria José Ferro Tavares, na “lição de abertura” do novo ano lectivo da Universidade de Aveiro, sob o tema “Cooperação: um desfio para o século XXI / Entre a história de duas globalizações”.

Depois de historiar a evolução da cooperação entre Portugal e as antigas colónias, incluindo Brasil e Timor, respectivamente, a primeira e a última a se emanciparem de Portugal, com referências aos tratados bilaterais e à criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a antiga reitora da Universidade Aberta referiu que “se os acordos bilaterais foram o cerne da política de cooperação, a fraca orçamentação nacional para a mesma não permitiu que aquela se desenvolvesse de forma coerente e eficaz, apesar dos acordos sectoriais que se foram assinando, de modo a evitar a aproximação de alguns países lusófonos a outras comunidades linguísticas, culturais e económicas, como a anglófona da Commonwealth, no caso de Moçambique, ou a francófona, em S. Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, ou até a espanhola, em Angola, e a chinesa em Angola e Cabo Verde, mais recentemente, para já não referirmos as cooperações italiana, dinamarquesa e holandesa, nomeadamente em Moçambique”.

Na opinião de Maria José Ferro Tavares “criou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa mas faltou-lhe uma estratégia conjunta para a cooperação, que possibilitasse o desenvolvimento dos mais pobres de entre eles”.

A finalizar a sua “lição de abertura”, a oradora afirmou que “a cooperação entre os países mais desenvolvidos e os mais pobres é necessária e vital para o equilíbrio e a paz mundiais. Se é verdade que a cooperação necessita de ter uma estratégia superiormente definida, a verdade é que ela também depende muito de vontades pessoais. E, hoje, há tanta informação que pode ser alcaçada, graças ao maravilhoso mundo das tecnologias da informação e comunicação que conseguem fazer do longe, perto. Desde que todos assim o desejemos”.