À Luz da Palavra – XXXIII Domingo Comum – Ano C A liturgia deste domingo fala-nos de algo de novo para onde caminhamos, um novo céu e uma nova terra definitiva em Deus, que não se alcançará sem dor e luta. Porém, nada temos a temer, porque Deus está connosco e acompanha-nos com ternura. Chama-nos à esperança cristã que nos revestirá de coragem para enfrentar todas as adversidades e para lutar por esse novo “Reino”, que chegará no “dia do Senhor”.
Na primeira leitura, o profeta anuncia que Deus não abandonou o seu Povo, mas vai intervir no mundo, vai derrotar o que oprime e rouba a vida e vai fazer com que nasça esse “sol da justiça” que traz a salvação. Esse dia da libertação é descrito como um grande dia de sol, no qual brilhará a justiça e a salvação para o povo ressequido com as amarguras do Exílio e, agora, descontente diante da grande tarefa de reconstrução do templo e do país. Está desanimado e não quer trabalhar. O profeta conforta-o, incutindo-lhe a esperança de que esse dia chegará sem tardar. Diante deste texto, havemos de ter consciência de que a intervenção libertadora de Deus não deve ser projectada apenas para o “último dia” do mundo, pois ela acontece a cada instante. Somos interpelados a estar numa espera vigilante e activa, a fim de sabermos reconhecer e acolher com esperança a intervenção salvadora e libertadora de Deus no quotidiano da nossa vida.
O evangelho oferece-nos uma reflexão sobre a caminhada que a comunidade de crentes é chamada a fazer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos na história é comprometer-se na transformação do mundo, para que a velha realidade desapareça e nasça o “Reino”. Esse caminho será percorrido no meio de dificuldades e perseguições, mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus. Jesus não nega algo de terrífico que irá acontecer, mas adverte os seus discípulos para um “antes de tudo isto”. É para este antes que nos devemos preparar por uma conversão de vida e pela adesão de coração a Jesus, porque somos chamados a ser suas testemunhas diante dos que nos odeiam e perseguem e até nos podem causar a morte. Aos crentes pede-se que reconheçam os “sinais” do “Reino”e que se esforcem, todos os dias, por tornar possível essa nova realidade. A nossa vida tem de ser um compromisso sério e empenhado, para que floresça o mundo novo da justiça, do amor e da paz. Quais são os sinais de esperança que eu contemplo e que me fazem acreditar na chegada iminente do “Reino”? O que posso fazer, no dia a dia, para apressar a chegada do “Reino”?
A segunda leitura reforça a ideia de que, enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo na construção do “Reino”. Se é certo que o “Reino de Deus” é uma realidade que atingirá o ponto culminante na vida futura, ele começa a construir-se aqui e agora e exige o esforço e o empenho de todos. A minha atitude é a de quem se comprometeu com o “Reino” e procura construí-lo em cada instante da sua existência?
XXXIII Domingo Comum: Ml 3,19-20; Sl 98 (97); 2 Ts 3,7-12; Lc 21,5-19
Deolinda Serralheiro
