Pressupostos da Pastoral Social (II)

Revisitar… o Vaticano II A par da superação da ética individualista e da primazia dada ao bem comum, importa lançar as bases de uma pastoral social no esforço educativo para a participação e corresponsabilidade de todos os cidadãos.

A consciência de que todos integramos a comunidade humana em que nos inserimos é fundamental para sentirmos a urgência dos que precisam e percorrermos caminhos que os façam cúmplices na procura das soluções, não apenas dos seus problemas, mas das questões de toda a comunidade.

O hábito de participação cívica – que as mais das vezes só custa disponibilidade interior e vontade; não custa dinheiro – é caminho necessário para fomentar a consciência solidária e abrir horizontes a dar por parte daqueles que mais precisam de receber. Treinam-se a saber dar sem custos; aprendem a receber sem humilhação, sem submissões, mas também sem oportunismos.

“A liberdade robustece-se, quando o homem aceita as inevitáveis necessidades da vida social, assume as múltiplas exigências da convivência humana e se entrega ao serviço da comunidade humana” – GS 31.

A integração em programas ocupacionais, o serviço cívico contra um apoio social, não são trabalhos forçados, nem paliativos de ordem social. Reconhecida a igual dignidade de todos, estes deverão desenhar-se como processos pedagógicos para ajudar cada um a descobrir que tem para dar, na correlação do direito de receber.

Programas de reinserção, vias de participação é que não poderão ser aleatórios. Há que sonhar e equacionar projectos que aliciem, que elevem culturalmente os envolvidos, que misturem activos e recuperantes.

O Concílio diz com limpidez: “Para que todos os cidadãos se sintam impelidos a participar na vida dos vários grupos, que compõem o corpo social, é necessário que encontrem nesses grupos valores que os atraiam e os disponham ao serviço ao serviço dos outros” – GS 31.

Não basta colocar nas mãos os utensílios da jardinagem, as máquinas da limpeza, os tornos mecânicos, os pratos para lavar ou mesmo os velhinhos para ajudar a deslocar. Cada programa, cada projecto, tem de assumir quem nele participa como pessoa digna e cidadão útil à comunidade. E todo o projecto será, então, educativo; para além da reinserção social, dará consciência de cidadania e introduzirá hábito e gosto de dar e receber.

Q.S.