Amigos de ocasião ou amigos de todas as ocasiões?

Olhos na Rua Por vezes perguntam-me, e eu também me pergunto, porque é que muitos dos “amigos” que o dizem ser ainda desaparecem se já não vêem vantagens nessa amizade? Amigos da personagem ou da pessoa? Se esses amigos se encontram por acaso, abundam palavras que parecem transmitir sentimentos. Prometem-se encontros, que já se sabe que não acontecerão. Palavras que não saem do coração, nem para lá se orientam. Amizade é gratuidade. Não é relação de favores recebidos ou esperados. A gratuidade, num mundo que a conhece pouco, não é moeda corrente. Para se ver que a amizade é verdadeira, é preciso ir lá longe, ao baú das recordações vivas, das experiências que não envelhecem, das relações que sempre foram ricas e assim continuam. A Bíblia diz que “um amigo é um tesouro”. Um tesouro é sempre coisa rara. Não é coisa em que se tropece a cada hora.

Ninguém, mais novo ou mais velho, pode viver sem amigos, vivam eles longe ou perto. A amizade é tradução de um amor que, porventura, não sendo de sangue, mantém, no entanto, força e vigor próprios, que o tempo não desgasta, e se alimentam, cada dia, de verdade, respeito, gratidão, partilha imediata de alegrias e tristezas. Moeda antiga. À moeda corrente que não resistiu ao tempo, falta-lhe o valor que só este confere.