À Luz da Palavra – XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano B A Palavra deste domingo, celebrada na liturgia, é incisiva na afirmação de que Deus é único e que além dele não há outro deus. Afirma, ainda, que o primeiro e maior mandamento, que nos foi entregue desde os tempos mais antigos, é o de amar a Deus acima de tudo, com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças que possuímos, isto é, um amor interior e exterior, afectivo, cognitivo e prático.
A primeira leitura apresenta-nos a lei fundamental para todo o ser humano, que consiste em amar a Deus de todo o coração e acima de todas as coisas, como condição de uma vida longa e feliz. Tão importante foi esta lei para o povo judeu que ele a inseriu na sua oração diária. Chamou-se-lhe “Credo histórico de Israel” ou Chemá, porque encerra uma verdadeira profissão de fé do crente hebreu. Este credo era rezado diariamente pelos judeus, quer na liturgia, quer nas sinagogas, quer nas orações privadas. Amar a Deus em primeiro lugar e acima de tudo, é o princípio absoluto do Antigo Testamento, o qual foi elevado à perfeição por Jesus.
O evangelho oferece-nos uma leitura actualizada do texto da primeira leitura. Mas acrescenta uma segunda parte, ou seja, um segundo mandamento, que completa o primeiro; e os dois em conjunto, resumem toda a lei. Este refere-se ao amor do próximo. Jesus esclarece o escriba, que o interroga, que não é possível cumprir o primeiro manda-mento sem o segundo. Mais tarde, o apóstolo João vai dizer-nos que quem afirma amar a Deus, que não vê, e não ama o próximo que vê, é um mentiroso. Logo, os dois mandamentos se abraçam e se completam. Este é o modelo que o próprio evangelho nos apresenta na relação amistosa entre Jesus e o escriba, pois ambos se elogiam reciprocamente. Nisto consiste o amor: no reconhecimento de uma recíproca igualdade e numa mútua e perpétua fidelidade. É assim com o amor: dá e recebe como Jesus.
A segunda leitura continua o tema anterior do sacerdócio de Jesus, afirmando que este sacerdócio é eterno. Por isso, Jesus é o incessante mediador entre Deus e nós e intercede perduravelmente por nós. Todo o sacerdócio da Antiga Lei claudicou diante de tão grande sumo-sacerdote, que é Jesus, porque Ele se ofereceu a si mesmo, de uma vez por todas, e continua em perene oblação, à qual nos unimos sempre que nós próprios nos oferecemos a Deus e, de modo particular, sempre que nos oferecemos com Ele na liturgia eucarística. Jesus é a proximidade do amor de Deus. Nele encontramos a salvação, a eterna permanência do perdão e da paz, que Deus nos outorga. Amar a Deus e ao próximo é ser e fazer como Jesus, até à entrega das nossas vidas no quotidiano da nossa existência.
Diante da Palavra de Vida deste domingo hei-de interrogar-me a mim mesmo sobre o primado do meu amor e sobre a indissolubilidade dos dois mandamentos de amor: a Deus e ao próximo. Para mim, Deus está acima de tudo e de todos? Dedico-lhe todas as energias do meu ser? Estou consciente, na prática cristã, que não posso estar de bem com Deus se menosprezo, ignoro, ofendo e não amo o meu próximo?
Leituras do XXXI Domingo Comum – Ano B: Deut 6,2-6; Sl 18 (17); Heb 7,23-28; Mc 12,28b-34
Deolinda Serralheiro
