O bispo e os jovens (II)

Revisitar o Magistério Uma das vertentes da pastoral juvenil é a pastoral vocacional. E não apenas na perspectiva de uma vida consagrada, mas na amplitude da vivência da vocação baptismal num estado de vida, matrimonial ou de consagração laical, na vida religiosa ou sacerdotal.

É mesmo assim que a Pastores Gregis situa a responsabilidade de pastoral vocacional do Bispo. “Determinante é a promoção duma cultura vocacional em sentido mais amplo: há necessidade de educar os jovens para descobrirem a própria vida como vocação. Por isso, será oportuno que o Bispo faça apelo às famílias, às comunidades paroquiais e aos institutos educacionais, para que ajudem os adolescentes e os jovens a descobrirem o projecto de Deus para a sua vida, acolhendo a chamada à santidade que Deus dirige originalmente a cada um”.

A missão do Bispo é a de ser animador vocacional das instâncias educativas, desde as famílias às escolas, passando pelos movimentos, associações ou quaisquer outros grupos. E a preocupação fundamental há-de ser a de que esses círculos, com uma visão integral cristã da pessoa, da educação e da permuta social, se tornam os motores do entusiasmo dos mais novos por olharem para as suas capacidades, abrirem os olhos às urgências do mundo que os rodeia e treinarem a vontade para pôr a render esses dons ao serviços das necessidades reconhecidas.

Esse será o projecto de Deus para as suas vidas!… Que não coincide com as “ilusões” que parecem evidências, nem realiza, as mais das vezes, as aspirações “materialistas” e “imediatistas” das suas famílias. É um longo processo de discernimento, que reclama o empenho de todos, em busca de uma realização pessoal autêntica – único caminho de verdadeira felicidade.

Daí o cuidado que o Bispo deverá colocar na escolha de quem acompanhe expressa-mente os adolescentes e os jovens, com dedi-cação e ciência, com sabedoria e testemunho. “A este respeito, é muito importante reforçar a dimensão vocacional de toda a acção pastoral. Por isso, o Bispo há-de procurar que a pastoral juvenil e vocacional seja confiada a sacerdotes e outras pessoas capazes de transmitirem, com o entusiasmo e o exemplo da sua vida, o amor a Jesus. A sua missão será acompanhar os jovens, por meio duma relação pessoal de amizade e, se possível, de direcção espiritual, para ajudá-los a identificarem os sinais da vocação de Deus e a buscarem a força para lhe corresponder na graça dos sacramentos e na vida de oração, que é primariamente uma escuta de Deus que fala”.

Está definido o perfil dos orientadores vocacionais e o essencial da sua tarefa! Está expresso, claramente, o clima de serenidade, de autenticidade, de verdade e interioridade que a ela deve presidir, a orientar as escolhas do Bispo.

Querubim Silva