À Luz da Palavra – VIII Domingo do Tempo Comum – Ano B A liturgia deste domingo narra-nos o amor de Deus pela humanidade, sob a forma do amor conjugal, autêntico, apaixonado, sem condições.
Na primeira leitura, o profeta Oseias utiliza a imagem do esposo apaixonado para descrever o amor de Deus pelo seu Povo. Porém, este amor supera a pura racionalidade do amor humano, para se tornar um amor irracional, absoluto. Deus ama, porque não pode deixar de amar; e ama para além de toda a lógica humana e de todo o nosso mérito. Seria bom que conhecêssemos o carácter e a profundidade do amor de Deus! Não se cansa com o tempo, nem envelhece com as nossas faltas de correspondência. É um amor sempre novo! A história da infidelidade de Israel e a “teimosia” do amor de Deus, de que nos fala Oseias, há-de levar-nos a repensar a nossa relação com os irmãos e irmãs, pois, segundo a lógica de Deus, não há fronteiras para o amor. Como devo, então, amar os meus irmãos e irmãs? Terei direito a excluir alguém do meu amor, mesmo aqueles que me fazem mal?
No evangelho, Marcos fornece-nos uma importante revelação sobre Jesus. Ele identifica-se com o “noivo”, que veio ao encontro da sua “noiva”, simbolizada no seu Povo, para inaugurar os tempos novos da Aliança e da salvação definitivas. Os discípulos de Jesus são os “amigos do noivo”, isto é, aqueles que o acolhem, o acompanham e se sentam com Ele à mesa do banquete do “Reino”. Por isso, os “amigos” de Jesus vivem na alegria e na festa. Na sequência do texto, Jesus fala-nos da impossibilidade de a novidade do “Reino” coexistir com as velhas estruturas. Interpela-nos à conversão, pois a dinâmica do “Reino” exige nova mentalidade, novos valores, novas atitudes. Jesus apresenta-se como o radicalmente novo, mas a sua novidade não se identifica com a última moda nem com o último grito. Ela tem mais a ver com a capacidade que cada um de nós tem de se abrir à acção renovadora e transformadora do Espírito Santo, de renovar constantemente a mente e o coração, de perceber que cada dia é novo, porque é uma oferta nova de Deus, que nos pede uma nova resposta de amor. Como é que eu acolho Jesus e que lugar ocupa em mim a sua proposta de “novidade” face aos valores do “Reino”?
A segunda leitura apresenta-nos a “paixão” que Paulo revela por Cristo, de modo que Ele se torna o centro da sua vida, a sua razão de ser e de viver, a motivação para tudo o que faz. Desta “paixão” nasce o seu compromisso com Cristo e a sua vontade de testemunhar o “Reino”. Todos os riscos que Paulo corre, as oposições que tem de vencer, as calúnias dos inimigos, não o incomodam, porque só lhe interessa que o Evangelho de Cristo chegue a todas as pessoas. Que lugar ocupa Cristo na minha vida? Para mim, é mais importante testemunhar o seu projecto de libertação do que as calúnias de que sou alvo por optar pelos valores do “Reino”?
Leituras do Domingo VIII do Tempo Comum – Ano B: Os 2,16b.17b.21-22; Sl 103 (102); 2 Cor 3,1b-6; Mc 2,18-22
Deolinda Serralheiro
