Revisitar o Sínodo Diocesano Fez-me muita impressão. Quase fiquei envergonhado: várias dezenas de agentes de pastoral, interessados na formação, mas com um vazio de cultura, de leitura, de conhecimento de textos fundamentais para uma vida e acção cristã lúcidas e maduras.
A ausência de conhecimento de um documento chave do Vaticano II, deixou-me perplexo: que andamos a fazer nas nossas forma-ções? que agentes pastorais despertamos e como os preparamos? que catequese podemos ter com estas pessoas, voluntariosas é certo, mas impreparadas para o nosso tempo?…
E veio-me ao espírito revisitar o II Sínodo de Aveiro, para refrescar a memória de quantos já o arrumaram no arquivo morto. E, sobre a pastoral profética, encontrei afirmações que desejo propor aos leitores. Sobretudo, as razões que exigem uma formação sólida e adequada.
“O Sínodo, reconhecendo que o dinamis-mo da vida cristã exige um crescimento em ordem à maturidade; as transformações sócio-económicas e culturais reclamam uma fé adulta, esclarecida e assente em convicções; a abertura à realidade do mundo da modernidade e da pós-modernidade não se faz sem cristãos esclarecidos; a educação cristã dos mais novos depende da formação cristã dos adultos; e a eclesiologia conciliar só pode ser vivida na comunhão e participação responsável de todos os baptizados, propõe:
– Proporcionar um encontro com os valores cristãos e com o próprio Cristo à medida do desenvolvimento e da situação de cada pessoa; (…)
– Ajudar a compreender o mundo em que vivemos, os seus dinamismos e valores, tendo em conta que não há evangelização profunda sem a cooperação da fé, e que esta não se faz, de modo correcto e comprometido, sem o conhecimento das pessoas e da sua história e das suas influências sociais, culturais e religiosas.”
É incompreensível como o Concílio Vaticano II passou ao lado de programas e itinerários de formação de todos os níveis de cristãos. Desde as Constituições, com princípios doutrinários fundamentais, a outros documentos com indicações mais práticas. A quarenta anos de distância de um acontecimento tão fundamental na vida da Igreja, é tão escassa a sua recepção, que valerá a pena iniciar uma retoma programada desses textos, como alimento básico, estruturante, de todos os projectos e processos de formação cristã.
Eles são uma leitura da Bíblia para o nosso tempo! Garantem, por isso, seguramente, o encontro com Jesus Cristo e com o Mundo em que vivemos. Isto é: garantem a fidelidade à Mensagem e a actualização dela para o Homem do nosso tempo.
Querubim Silva
