Anuncia-nos o Advento a Esperança fundamentada do tempo novo, apesar das angústias e incertezas que povoam o nosso Mundo. A mensagem de ânimo de Jeremias aos Israelitas, regressados do exílio e desanimados com a destruição que encontraram, tem plena actualidade e corporiza-se na certeza de que o nosso Deus não é um Deus distante, mas um Deus-connosco, o Emanuel.
“Jesus Cristo, minha Fé, minha Esperança” não é simplesmente um lema de campanha, um slogan publicitário. É a âncora que nos segura, em meio das turbulências e desnortes; é farol que nos orienta nas noites de breu com que a vida tantas vezes nos surpreende; é rota segura nas incertezas dos caminhos a percorrer.
Arrepiam-se os cidadãos conscientes, os europeus genuínos, com a babel da política, com o labirinto da economia e das ideologias, com a inexistência de humanidade, sobretudo com o vazio de esperança sobre o qual se desenham, uns atrás de outros, sonhos fugazes de um País coeso e promissor, de uma casa comum da Europa das culturas.
O diagnóstico de Henri de Lubac, já lá vão muitos anos, sobre este mal, é, seguramente, a verdadeira raiz da incerteza, dos avanços e recuos deste mundo à deriva, desta crescente perda de esperança de um rumo feliz: “Na origem desta perda de esperança está a tentativa de promover uma visão do homem separado de Deus e de Cristo… O esquecimento de Deus levou ao abandono do homem.”.
Por mais que se fale do Estado social, da Europa social, da coesão social, por mais que se grite que é o bem da pessoa que se projecta e se procura, porque não é a pessoa integral que está no centro das atenções e decisões, não se atina com o rumo da esperança, não se sentem nem pressentem passos sólidos na construção do bem comum.
Aí está um desafio, neste Advento, para quantos professam a Fé em Jesus Cristo: iluminar-se, iluminar as realidades em que nos movemos, com a Luz do Homem perfeito, com a certeza da Sua presença real e permanente entre nós, devolvendo-nos, desse modo, a percepção mais profunda da autêntica dignidade humana. O Natal de Jesus Cristo é o caminho da descoberta do Humanismo integral! E sobre ele se constrói, com solidez e esperança, uma pessoa, um país, um continente, um mundo habitável para todos.
