O Advento

Reflexão “Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três eu já começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei… Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito…. São precisos rituais.”

Neste desabafo tão simples e profundo a marcar o encontro entre um princípe de outro planeta e uma raposa qualquer, ela dá-nos o sentido do tempo que nós, homens e mulheres deste tempo que nos dizemos cristãos, estamos a iniciar: o tempo do ADVENTO. Todos sabemos o que esse tempo é tempo de esperança, temos em mente um encontro que aí vem e procuramos, de todos os modos, prepará-lo, mas, levados pelas campanhas que nos invadem as caixas do correio, os ecrans das televisões e os olhos dos nossos centros comerciais e praças e ruas, facilmente cedemos à tentação do mais fácil, do mais rápido, do mais vistoso. Esquecemos os rituais como o parar desta corrida desenfreada da vida, às vezes, sem sentido; perdemos o hábito de esperar porque não há tempo, há que ultrapassar, passar à frente se possível for para chegar mais cedo… às vezes, a parte nenhuma; o gosto de olhar o espelho e ver-se por dentro, despertando o gosto de si, a beleza interior, o coração bonito e vesti-lo de trajes que me fazem feliz… Esquecemos o Advento porque já não há rituais, porque não há tempo e qualquer dia, para nós é tempo, sem domingo ou sem semana e também sem Advento e sem Natal!

Estamos em Advento, esse tempo que a Igreja nos continua a propor, à maneira de ritual, porque sabemos que Ele (já veio e virá um dia…), mas vem neste ano de 2009, e tem data marcada nos nossos calendários, a marcar o tempo de espera, de arranjar o coração, vesti-lo e pô-lo bonito para que Ele entre e faça casa na nossa casa e encha o presépio das nossas vidas. Mas para isso, temos de O esperar nesta caminhada que a Comunidade nos oferece e, em cada dia, subirmos a escada das nossas vidas indo ao Seu encontro que desce na mesma escada até nos podermos encontrar…. “ e quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei…”

P.e Manuel J. Rocha