“Sou um instrumento de Deus”

Maria Durão, vocalista do grupo de música católica Simplus (que é ainda formado por Luís Roquette), dá a conhecer a sua vida de entrega à música, o nascimento do grupo e como se sente uma serva nas mãos de Deus.

O grupo Simplus recebeu recentemente o prémio “Evangelização 2008”, atribuído pela Associação Cultural Kerygma

CORREIO DO VOUGA – É dependente de música?

MARIA DURÃO – Se calhar até sou um bocadinho… O que eu costumava dizer ao princípio, antes das nossas músicas serem mais ou menos conhecidas, é que, mesmo que ninguém ouça as músicas, eu vou continuar a fazer! Dessa forma sou dependente porque tenho sempre um grande desejo de cantar, de fazer música, de música que, de certa forma, é um desejo de beleza. Não sei explicar… Por exemplo, a primeira música que fiz estava a aprender os primeiros acordes de viola e como estava a ficar farta de tocar sempre os mesmos acordes… Então para dar mais graça àquele momento decidi fazer uma música, o que se foi tornando natural. Gosto muito de criar e para mim já é normal!

Foi nessa onda de criação que nasceram os Simplus?

O nome Simplus apareceu para nomear o que foi acontecendo. Fomos tendo músicas nossas, pessoas que gostavam de as ouvir e surgiu a possibilidade de gravar um cd. Então fomos na aventura! Foi o reconhecimento de algo que já existia e se concretizou.

Porquê o nome Simplus?

Nós não tínhamos nome para dar ao disco e não queríamos os nomes dos primos… Queríamos ser conhecidos por um nome simples mas que ficasse. De repente veio-me à ideia a palavra simplicidade, daí nasceu “simples” e depois brincámos com a palavra e nasceu Simplus. Se virem, e não foi propositado, as letras M e L estão simetricamente posicionadas que são as iniciais de Maria e Luís, que compomos os Simplus. Com esta coincidência, entre outras, gostámos do nome e acreditamos que foi o nome que nos foi destinado.

Como surge a inspiração para as músicas?

Antes de mais, a mensagem não é nova. É tudo o que aprendemos na Igreja à qual pertencemos… Original é o modo como a tentamos passar! São essencialmente experiências vividas que colocamos em música, muito coladas à vida, de forma muito simples. Como é que a vida na Igreja, a nossa vivência em comunidade e vivida em Jesus Cristo, nos pode modificar… Essa é a mensagem que tentamos mostrar aos que nos ouvem. Nem nós tínhamos como intuito fazer música para evangelizar. Apenas fazemos música para transmitirmos experiências e testemunhos.

Uma das vossas músicas mais conhecida é “Onde Deus te levar”. Como é que surgiu?

Acho que foi uma das quatro primeiras músicas que eu fiz… Hoje até me envergonho um bocadinho e acho que a letra é infantil. Eu tinha 17 anos quando a escrevi! A música é divertida e redescubro sempre coisas bonitas quando a canto. Naquele momento queria “abanar” as pessoas e agora tem graça ela ser das mais conhecidas porque, afinal eu escrevi-a a pensar nos outros.

Já alguma vez ouviu as suas músicas cantadas por outros grupos?

Acontece-me muitas vezes amigos dizerem-me que ouviram músicas minhas aqui ou ali… Eu, sinceramente, não ouvi muitas vezes… Mas quando ouvi apenas me senti um instrumento de Deus. Sentir que os outros cantam as minhas músicas, que posso ajudar daquela forma, para mim basta! É sempre muito gratificante, mas, felizmente, tenho a noção de que sou uma serva inútil de Deus e talvez seja esta a maneira de eu conseguir fazer com que as pessoas se aproximem de Jesus. Escolheu-me a mim para poder falar aos outros, acredito nisso! E espero que continue a conseguir dizer sempre o meu sim!

Como é que divulgam o Simplus?

O mais rápido será o contacto pelo endereço simplus.querotemais@gmail.com. Antes do fim do ano teremos um “site” oficial. Depois temos o nosso myspace, onde a nossa editora, as Edições Salesianas, dão a conhecer a nossa música. Depois ainda temos de trabalhar mais na divulgação dos nossos CD e locais onde cantamos para podermos chegar a cada vez mais pessoas.

Entrevista conduzida por Sónia Neves