A expressão, consagrada na nossa linguagem quotidiana, tem subjacente uma perspectiva optimista de quem espera mudança positiva com a passagem do tempo. Significa libertação daquilo que possa ter impedido uma realização pessoal, um desenvolvimento social de nível satisfatório.
Curiosamente, alguns indicadores vieram a público ensombrar este optimismo. O chefe do Governo cantou-nos o canto dos indicadores económicos positivos (sem deixarem de ser dúbios) e pouco mais. Áreas fundamentais, como a educação, a saúde, o crescimento cultural… ficaram no esquecimento. Sabemos que as coisas não se fazem sem riqueza, sem dinheiro. Mas muito mais certo é que não se fazem sem pessoas, sem humanidade!
A pena de morte, mesmo aplicada a um ditador, revela um atraso frustrante no respeito pela vida. Muito mais, quando para alguns constitui meio de construir a democracia. Pior é sabermos que muitos dos que se ergueram contra esta execução da pena capital legislam o extermínio de indefesos, em nome da mesma liberdade e democracia. Incoerência, duplicidade de critérios!
Também circularam, nestes dias, notícias de lautos proventos da classe dirigente, em contraste com as magras migalhas que se vão concedendo a uma multidão de mais frágeis. Nem me respondam que tal acontece porque os escolhemos, porque as suas responsabilidades têm de ser bem compensadas… Porque, na maioria dos casos, eles se autopromoveram ou mutuamente se deram as mãos em descarados nepotismos. A par com isso, mais grave é a sobrecarga que levaram produtos essenciais para sobreviver!
Esperava, de facto, vida nova: respeito pela vida, solidariedade, verdade e celeridade na justiça, dinamização dos núcleos populacionais envelhecidos, promoção dos círculos afectivos estruturantes da pessoa (a começar pela família), processo educativo realista, participado, plural e livre, saúde de qualidade e proximidade…
Mas não desarmo. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância!” – é uma certeza que nos assiste e nos mobiliza. E o Senhor assumiu, com todo o realismo e pessoalmente, esta nossa rebelde natureza humana por inteiro. Portanto, a transformação está operada. E a seara está a crescer, mesmo durante a noite da maldade dos homens, sem muitas vezes darmos conta disso. Há sinais de uma aurora de fogo que há-de fazer brilhar um novo dia! Os filhos das trevas não suplantarão para sempre os filhos da luz! Portanto, ano novo é sempre sinal de vida nova em gestação. Consequentemente, sinal de Esperança!
