Ao colo!

A Eucaristia no meu coração Deus concedeu-me a oportunidade de começar a ir à Missa ao colo dos meus Pais. Graças ao seu testemunho e dedicação à Igreja, eu pude comungar habitualmente desde os seis anos de idade. Talvez por isso, tenha nascido e crescido em mim um grande amor à Eucaristia.

Bastante cedo, descobri a Sua força. Nunca senti a Eucaristia como uma obrigação. Foi sempre vivida como a resposta a uma necessidade. E, por isso, andava, alegremente, quatro quilómetros a pé, para viver a festa do Domingo.

A Eucaristia tinha e tem, sempre, novidade para mim. Quanto mais a vivo, mais riqueza descubro para viver. Foi por essa razão que, ao longo deste ano da Eucaristia, reflectindo as palavras e os gestos que fazemos, encontrei sempre novos motivos para me entusiasmar pela Celebração.

Sobretudo, descobri, no Dom por excelência, que se vive no encontro eucarístico, uma fonte de transformação permanente, da nossa pequenez em graça abundante. É esta vida nova que brota da Comunhão com Cristo Ressuscitado que me faz viver em comunhão com os irmãos e me solicita a comprometer a vida ao serviço da Comunidade.

Habitualmente, no final da Eucaristia vou levar a Comunhão aos doentes, prolongar a nossa Celebração até sua casa. Sinto sempre alguma ansiedade, consciente de que sou um vaso de barro a transportar o grande Tesouro, que eles esperam com uma profunda alegria. É outra dimensão do Encontro Eucarístico, que se manifesta surpreendente em gestos tão simples quanto nobres! O gesto que me impressiona sempre mais é o beijo que os esposos se dão, depois de comungar – o beijo eucaristiado. Não é apenas o gesto afectivo. É a transmissão de toda a entrega, em circunstâncias difíceis, motivada e alimentada pela união com Cristo.

Só a Eucaristia é capaz de transformar o sofrimento em doação. Só assim se entende a capacidade de amar, que ultrapassa todas as limitações. É uma felicidade ver como a Eucaristia gera, em situações tão dolorosas, a autêntica fraternidade, neste caso lhe chamaríamos a fraternidade conjugal.

Emília Pires