Apontando o rumo!

Velar pelo rebanho, conduzi-lo a pastagens abundantes, apontar o rumo seguro, caminhando à frente… é a árdua, mas gratificante missão do Pastor. Sucessor dos Apóstolos, o Bispo é este Pastor, cujo desvelo, mesa posta, caminho seguro, coragem da linha da frente, só lhe advirão da identificação crescente com o Bom Pastor. Desse modo, o seu quotidiano se tornará transparência do amoroso rosto de Jesus Cristo.

Chegou a hora, na Diocese de Aveiro, de acontecer um novo elo na sucessão apostólica. Para quem vai e para quem vem, para os diocesanos de Aveiro, para as instituições eclesiais, para a comunidade humana que integramos, é momento de gratidão e de esperança, de balanço e de planificação. Não é neste espaço exíguo que o vamos fazer. Tão somente gostaríamos de ser um contributo para que sejamos integralmente humanos, reconhecidos por um lado, e, por outro, corações limpos de preconceitos.

Os Bispos, dotados dos dons comuns dos cristãos e da graça específica do Sacramento da Ordem e da missão em que são investidos, não deixam de ser pessoas humanas. Certamente também com limitações e falhas, são um mistério de Graça concedido às Igrejas. E só nesse clima de Graça poderão ser avaliados e acolhidos.

Parte, ficando entre nós, D. António Marcelino. A Estrela do Oriente fascinou o Baltasar! Um percurso longo, um pastoreio difícil, mas ousado, um dinamismo de criatividade, que muitas vezes não soubemos aproveitar. Fica-nos, sobretudo, a lucidez e a coragem de tocar no cerne dos problemas do Homem, da Sociedade, para ajudar esta Igreja a Servir o mesmo Homem e a Sociedade com os valores genuínos do Evangelho. Porventura agora, que se retira, compreenderemos melhor as suas inquietações e estímulos.

António é também o seu nome – D. António Francisco, o novo Bispo de Aveiro. É o dom que o Bom Pastor, hoje e agora, nos oferece. Não terá, certamente, a pretensão da ubiquidade, ainda que seja jovem. Mas talvez estejamos a necessitar da simplicidade do Francisco, da sua atenção às coisas pequenas, da sua afeição, que confere à vida, também à vida cristã, aquela perspectiva da poesia que tanta falta faz para que ela seja completa, aquela serenidade que convida à intimidade profunda com o Divino.

Ia terminar. Mas pensei na sucessão dos Bispos da Diocese restaurada. E descobri que, afinal, Deus nos tem concedido o benefício da alternância de Pastores. Como se foram sucedendo a serenidade e o fogo – ambos excelentes dons do Espírito!

Obrigado, D. António Baltasar! Conte connosco, D. António Francisco!

Nota – Os leitores já perceberam a razão desta edição do Correio do Vouga sair, desta vez, à quinta-feira.