A saga continua… E continuamos todos a perder, porque ninguém quer dizer que errou, que são possíveis e melhores outros caminhos, que a educação é missão demasiado nobre e tarefa de todos, para que te-nhamos a coragem de não sustentar caprichos mas antes juntar energias em busca do caminho adequado.
Um amigo enviou-me por estes dias um texto. Teve o cuidado de avisar que era do século XVI, para me poupar à surpresa de o julgar porventura o contributo de algum eminente pedagogo dos nossos dias. Entendo que têm plena actualidade algumas linhas desse texto. Mais: poderão ser uma pista e um incentivo para quem tem responsabilidades de educação.
“Nada deve ser mais importante e mais desejável (…) do que preservar a boa disposição dos professores (…). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (…).” “Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações.”
Aí está algo que cai como sopa no mel, no que respeita à turbulência que vivemos no mundo da educação. O que temos criado é um clima de azedume, de indisposição, de cansaço, de desorientação, a tantos que, oferecendo o melhor da sua dedicação, se vêem desautorizados, vilipendiados, injustiçados. Sem estima, sem gosto e alegria, não há quem resista às exigências da educação.
“Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo, os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo.”
Esta é também outra questão da máxima importância. O bom desempenho não pode ser sobrecarregado com solicitações de toda a ordem, tolhendo a possibilidade de canalizar as energias para as boas práticas educativas em favor de burocracias ou problemas secundários. O mérito tem de ser encaminhado para o cerne do labor educativo. Para questionamento e estímulo daqueles que, porventura, ou não estão no trabalho educativo por vocação ou não entenderam o ritmo de exigência que ele comporta.
Convenhamos nestas palavras conclusivas: o texto da Ratio Studiorum da Companhia de Jesus (1599) bem poderia ser um comunicado final de um plenário de professores ou assembleia de escola, de uma assembleia sindical ou da reflexão de um Ministério da Educação do século XXI.
Acolhamos com humildade a lição da história, das boas práticas educativas que essa história nos oferece!
