Apresentado esboço de biografia do Cónego Filipe de Figueiredo

O Cónego Filipe de Figueiredo era um homem “de profundo amor e abandono a Deus, e de uma dedicação extraordinária” aos imensos trabalhos pastorais que abraçou. As palavras são de Olívio Amador, professor estarrejense radicado em Lisboa, que está a escrever uma biografia do padre da aquidiocese de Évora, mas natural de Estarreja, que faleceu repentinamente em 28 de Novembro de 2003. O primeiro esboço desse trabalho foi apresentado no sábado passado, bem como o “site” da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo.

No domingo, Pe António Fragoso, pároco de Estarreja, descerrou um plackard com o anúncio do “Sonho do Reverendo Cónego Filipe”, no terreno que o defunto sacerdote havia adquirido para aí instalar um centro social – missão que a Fundação assumiu como sua. O terreno fica no lugar do Passal, perto da Igreja de S. Tiago de Beduído. Para amanhã, 1 de Dezembro, às 16 horas, está previsto um concerto pela Orquestra de Cordas da Esproarte (Mirandela) e dirigido pelo maestro e musicólogo cigano Paco Suarez. O concerto surge como sinal de amizade da etnia cigana para com o padre que, a partir de 1968, se dedicou à Pastoral dos Ciganos, tendo fundado duas publicações a eles dirigidas (“Promoção” e “Caravana”) e conseguido que na Expo’98 houvesse um pavilhão dedicado à etnia.

Filipe de Figueiredo desenvolveu o seu ministério sacerdotal na arquidiocese de Évora, como pároco, professor e director espiritual no seminário, jornalista, entre outras actividades. Foi ordenado em Vendas Novas, em 1949. Contudo, ao contrário do que muitos seriam levados a pensar, chegou a ser seminarista de Aveiro. Nos primeiros tempos da restauração da diocese, frequentou o seminário que a diocese improvisou numa casa junto ao Parque da cidade, entretanto demolida.

O autor da biografia foi seu colega no seminário. A amizade, iniciada no final da década de 30, manteve-se ao longo de toda a vida, sendo frequente o padre procurar o amigo de Lisboa, nem que fosse só para jantar – contou Olívio Amador ao Correio do Vouga. A mudança para a diocese alentejana, onde já estava o padre estarrejense José Maria Dias, deveu-se à suspensão de três seminaristas de Estarreja (entre os quais o autor da biografia e o biografado) por causa de suposto envolvimento do Pe Donaciano de Abreu Freire, pároco de Estarreja, em intrigas políticas.

J.P.F.