Arquivo do cardeal Cerejeira aberto aos investigadores

As 319 caixas de documentação e milhares de fotografias do 14.º patriarca de Lisboa estão disponíveis para os investigadores a partir de 2 de Maio. Constituem uma fonte importante para a história de Portugal.

O cardeal-patriarca de Lisboa admitiu que possam ter desaparecido documentos do arquivo de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, visto que este “emprestou alguma documentação” e não sabe se ela voltou.

Na sessão pública de apresentação dos resultados do projecto de organização e descrição da documentação de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, no dia 1 de Abril, o actual patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sublinhou que o seu antecessor emprestou documentação ao embaixador Franco Nogueira e recorda-se – na altura – de ter visto um cartão escrito pelo cardeal Cerejeira a Oliveira Salazar onde defende a Juventude Operária Católica (JOC), no entanto “nunca mais” viu esse cartão.

O fundo arquivístico de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, 14.º cardeal patriarca de Lisboa, encontra-se dividido em quatro sub-fundos, correspondentes a quatro áreas funcionais do prelado: Secretaria Particular do cardeal Cerejeira (1929-1971) – abrange todo o período à frente da diocese; actividade desenvolvida enquanto estudante e professor da Universidade de Coimbra (1909-1928); arcebispo de Mitilene e vigário capitular do Patriarcado de Lisboa (1928-1929) e patriarca resignatário (1971-1977).

As 319 caixas de documentação albergam 22.965 documentos simples e compostos, 8.162 recortes de imprensa organizados em 210 temáticas, 660 dossiês e 329 capilhas de recortes de imprensa organizados cronologicamente.

Acrescem a este espólio 3841 provas fotográficas organizadas em 82 álbuns, bem como 2961 fotografias avulsas organizadas.

Em declarações à comunicação social, D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e coordenador deste projecto, sublinhou que apesar do cardeal Cerejeira ter sido arquivista na Universidade de Coimbra “foi necessário dar uma organização ao arquivo porque veio documentação de vários lugares”. Este trabalho demorou cerca de dois anos e meio e contou com a colaboração de “muitos voluntários” – acrescentou.

O responsável pelo Serviço de Arquivo Histórico e Biblioteca do Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa, Ricardo Aniceto disse na sessão de apresentação – realizada no Mosteiro de São Vicente de Fora – que este projecto nasceu da “esteira de um projecto universitário mais abrangente” – liderado pelo historiador Luis Salgado Matos – sobre «A Igreja Católica e o Estado Português no século XX. Os cardeais Mendes Belo, Gonçalves Cerejeira e António Ribeiro» e pretende estudar a “interacção entre os três cardeais de Lisboa com o Estado Português”.

O arquivo ficará disponível para os investigadores a partir de 2 de Maio.