Arte e beleza de 101 paróquias confluíram para o Museu de Aveiro

Numa exposição inédita, todas as paróquias da Diocese colaboram com uma peça. Abrem-se “horizontes no diálogo entre diocese e sociedade”.

“Um dos caminhos onde brilha a luz [de Deus] é o da beleza”, afirmou D. António Francisco na abertura da exposição de arte sacra “Diocese de Aveiro, Presente e Memória”, na tarde de 20 de janeiro. Esta exposição da Missão Jubilar que comemora os 75 anos da restauração da Diocese de Aveiro, sendo um acontecimento cultural, é também uma iniciativa pastoral, pretendendo, nas palavras do Bispo de Aveiro, “abrir portas mais amplas ao anúncio do Evangelho, abrir horizontes no diálogo entre diocese e sociedade”.

A exposição, com 101 peças de arte sacra, uma por paróquia, mais as insígnias episcopais de D. João Evangelista de Lima Vidal, está patente até 7 de abril, com entrada gratuita, num espaço de grande simbolismo para os cristãos aveirenses, o Museu de Aveiro. “Santa Joana aqui viveu e aqui repousa”, observou D. António Francisco.

As peças, algumas com mais de setecentos anos, revelam a “harmonia entre os talentos dos homens e a bênção de Deus” (D. António Francisco) e são uma “história da catequese na arte e pela arte”, como afirmou Mons. João Gaspar perante os primeiros visitantes, que encheram por completo a sala dos discursos prévios à abertura propriamente dita. Na assembleia distinguiam-se o Bispo de Aveiro emérito, quatro presidentes de câmaras municipais, vereadores, responsáveis do Museu e diversos párocos. O vigário-geral e historiador, profundo conhecedor da arte sacra diocesana, esclareceu que a arte sacra, distinguindo-se da arte de inspiração religiosa, “possui intrinsecamente um fim litúrgico”, ou seja, “é aquela em que o artista, como catequista, pretendeu fomentar a vida de fé”, expressa “teologia em imagens”.

As primeiras impressões, no final de uma visita necessariamente rápida devido à afluência, foram muito positivas, como ficou patente nos constantes parabéns que receberam Maria Helena Pinho e Melo, da comissão executiva da exposição, e o P.e Francisco Melo, coordenador da Missão Jubilar. Alguns, no entanto, querendo saber a que paróquia pertence “A Árvore de Jessé” ou a peça “Ressurreição”, lamentavam que as peças não tivessem identificada a origem. O artista aveirense Gaspar Albino revelou a solução a este jornal: “Tenho de ir consultar os meus inventários”, referindo-se provavelmente ao inventário feito por Nogueira Gonçalves em meados do século passado.. Mas a maioria das pessoas ficará sem saber a que paróquia pertencem, visto que também não é referida no catálogo da exposição. P.e Francisco Melo adianta que tal informação foi omitida para evitar roubos no futuro e tranquilizar as paróquias que cederam as peças.

Maria Helena Pinho e Melo referiu que a exposição “reflete a unidade e a comunhão de uma diocese dinâmica” e revelou ao “Correio do Vouga” um desejo. A coordenadora da exposição gostava de saber o que dirão os santos uns aos outros, quando o último visitante deixar a exposição e a galeria mergulhar no silêncio da noite. O que dirá S. Jerónimo a São Martinho? Ou Santa Clara a Santa Isabel? Talvez alguma mente se aventure a conceber tais diálogos.

Celeste Amaro apelou à

solidariedade dos visitantes

A responsável da Direção Regional da Cultura do Centro (organismo que tutela o Museu de Aveiro) sublinhou que “todos os meios humanos do Museu de Aveiro foram postos à disposição da exposição” e deixou uma proposta sobre algo que a tem “incomodado”. Para fazer face às dificuldades de algumas pessoas, por causa da “intempérie e da crise que o país atravessa”, Celeste Amaro convidou todos os visitantes do Museu de Aveiro a levarem bens que depois uma instituição escolhida pela diocese distribuirá. “Os espaços culturais têm obrigação de solidariedade. Quanto cá vierem outra vez, tragam um pacote de arroz, um casaco, um par de sapatos, algo que ajude os outros lá fora”, disse. “A partir de terça-feira [ontem] o Museu terá um espaço próprio para deixar a oferta”, adiantou.

Museu aberto na Sexta-feira Santa

e no dia de Páscoa

A diretora da Cultura do Centro informou que o Museu de Aveiro estará aberto na Sexta-feira Santa e no dia de Páscoa (em 2013, 29 e 31 de março), dois dias em que no passado estava fechado. Esta alteração teve o acolhimento dos funcionários da instituição, disse Celeste Amaro, e permitirá aumentar a oferta cultural da cidade, que nesta altura costuma ser muito frequentada por espanhóis.