Temporal

O temporal que atingiu o país no dia 19 de janeiro causou destruição em todos os concelhos da região de Aveiro, especialmente nos do litoral.

Por todo o lado caíram árvores, painéis publicitários, postes elétricos, sinais de trânsito, num panorama nunca visto pela sua extensão e duração. Passados três dias, algumas habitações ainda continuavam sem eletricidade.

Em São Jacinto encalhou um cargueiro, enquanto na Praia da Barra uma grua caiu, destruindo um automóvel e danificando a via pública. As estufas da Vagueira, como de outras localidades, foram varridas pelo vento. Em Aveiro, no Bairro da Gulbenkian, em frente ao estabelecimento prisional, a queda de uma árvore danificou três automóveis. No Parque Infante D. Pedro foram dezenas as árvores que caíram, algumas de grande porte, além de terem voado os tapumes das obras em curso. O Mercado do Peixe ficou inutilizável devido à quebra das áreas envidraçadas. Quanto a danos humanos, em Aveiro duas pessoas foram atingidas por chapas soltas, enquanto em Anadia outras duas ficaram feridas no desabamento da habitação. No total, a Proteção Civil registou no distrito de Aveiro 584 ocorrências (9147 em todo o país).

Em termos de infraestruturas municipais, o concelho da Murtosa terá sido o mais atingido. Segundo informou o presidente da Câmara, Joaquim Baptista, o porto de abrigo da Cova do Chegado ficou bastante danificado. O autarca avalia os prejuízos em mais de 250 mil euros. No Parque Municipal da Saldida (Murtosa), nas piscinas, e no Pavilhão do Monte Branco (Torreira) também há avultados prejuízos a contabilizar.

No concelho de Estarreja, caíram árvores na Casa-Museu Egas Moniz (Avanca), afetando telhados. Mesmo assim, a Casa deverá reabrir no dia 26 de janeiro, como estava planeado, nas comemorações da elevação de Estarreja a cidade.

Em Albergaria, levantaram-se os telhados dos armazéns municipais. No concelho de Ílhavo, caiu uma árvore na Escola da Marinha Velha (Gafanha da Nazaré), não impedindo a abertura para as aulas, e ficaram danificados os pavilhões da Gafanha da Encarnação e da Gafanha do Carmo, bem como o Museu Marítimo de Ílhavo, que já no temporal mais suave de dezembro tinha sofrido danos.

Na Universidade de Aveiro (UA), segundo informou o reitor Manuel Assunção, o temporal arrancou painéis fotovoltaicos e solares no Departamento de Mecânica e no Complexo Pedagógico e danificou a cobertura da Reitoria. Na biblioteca da UA foram arrancadas duas janelas e uma porta. “Grande parte, se não todos os prejuízos, estão cobertos pelo seguro”, adiantou o reitor.

Paróquias e estruturas da Diocese de Aveiro também foram atingidas. No Seminário caíram algumas tílias, mas sem atingir quer o edifício do Seminário quer a novíssima Casa Sacerdotal. Em Veiros (Estarreja), o telhado da Igreja de São Bartolomeu sofreu um rombo, temendo-se a infiltração de águas nos estuques. Na Gafanha da Nazaré, o telhado da igreja matriz também ficou danificado. Esta paróquia viu a vedação do seu Centro de Recursos (santuário, salão e parque situados na Colónia Agrícola) ser parcialmente destruída pela queda de pinheiros.

J.P.F.