Uma pedrada por semana Na Espanha mantém-se a bipolarização política, agora ainda mais acentuada. Bem ou mal, eles lá sabem e ninguém tem de procurar linhas que cosam os seus projectos, pois é a eles que compete o diálogo que leve a bom caminho, de modo a o povo ser respeitado e servido. Mas parece ser lição também para cá, que, quando meio por meio diverge, o respeito por todos impõe-se mais. O povo, ou uma grande parte do mesmo, não morre, nem tem de se calar, quando acaba a contagem dos votos.
Como podem os bispos calar-se, quando a avalanche do laicismo de poucos pretende esquecer os valores morais e religiosos de muitos? Mais de 80% de alunos da zona de Toledo estão matriculados nas aulas de religião, tanto nas escolas do Estado, como nas privadas. Poderá o governo fazer tábua rasa desta realidade nacional, com a sua pretensão de acabar com esta aula, a favor de outra obrigatória sobre a cidadania?
Por cá, o caminho parece ser outro. Uma asfixia disfarçada, medidas restritivas, portarias a contrariar leis, demoras inexplicáveis de diálogo, arbitrariedades regionais…
Há de tudo, mas os ideólogos políticos, que nem sempre são os que estão á boca do palco ou se vêem a olho nu, vão traçando caminhos que nem o povo nem os pais querem.
Só uma concepção clara de bem comum e respeito pelo povo pode levar a bom termo disposições e leis. Os deveres democráticos não jogam só de um lado.
António Marcelino
