A destruição da família, o desemprego e o abandono escolar são as principais causas de pobreza, segundo o Pe Lino Maia, a quem coube fazer uma comunicação centrada nas prioridades da diocese para o novo ano pastoral. Para o presidente da CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade), os grupos cristãos não podem fazer muito quanto às causas de desemprego – não podem, normalmente, oferecer trabalho, por exemplo –, mas podem assumir pequenas acções com grandes efeitos. E deu exemplos: salas de estudos em bairros sociais, grupos juvenis de teatro em zonas de marginalidade, ou formação básica para desempregados (“como e onde procurar trabalho”, “como fazer um currículo”, etc.). O Pe Lino Maia exemplificou com um caso da sua paróquia de Aldoar. A quando do Porto Capital Europeia da Cultura (2001), jovens que tinham abandonado o ensino foram convidados a integrar o elenco de uma ópera. A iniciativa deu-lhes auto-estima e confiança nas suas capacidades. Alguns regressaram ao ensino e agora estão em cursos superiores.
Com base na palestra do presidente da CNIS, que é também director do Secretariado da Pastoral Social do Porto, o Correio do Vouga apresenta as principais chamadas de atenção à acção social dos cristãos. São “as lições do Pe Maia”.
1. O próximo é sobretudo aquele de quem nos aproximamos. À semelhança do bom samaritano, é necessário “descer do cavalo”, sujar as mãos, tratar e usar do pecúlio próprio.
2. A caridade anda, por vezes, associada a práticas individuais e ao sabor da espontaneidade. Nas comunidades, é fundamental que existam grupos de sensibilização para a pastoral da caridade. É importante que haja coordenação das acções caritativas.
3. As pessoas são generosas em circunstâncias extraordinárias. “Mas procuremos não estar à espera de cataclismos”. Sugestão: uma vez por ano, instituir nas nossas paróquias a mobilização para uma circunstância especial.
4. A caridade não é algo que se faz quando não se tem mais nada para fazer. É a prática normal da fé. É necessário rejuvenescer os grupos, respeitando os mais velhos que lá se encontram.
5. Que os grupos estejam abertos à catolicidade, isto é, abertos a todos, seja qual for a ideologia, cor, estado…
6. Que a comunidade se sinta responsável por todos os seus membros. Que a comunidade peça a pessoas para formar grupos de caridade.
7. “Não atiremos para o Estado as nossas responsabilidades” (princípio da subsidiariedade). “Se atiramos a responsabilidade para o Estado, estamos a ser coniventes com o mal. Fazemos o bem, porque caminhamos ao lado das pessoas”.
8. A caridade deve ser feita a pensar na pessoa concreta e “não para nos sentirmos bem connosco próprios ou para sermos reconhecidos”.
9. “Devemos ter um desejo de qualidade. É sempre possível fazer melhor. Não é questão de técnicas. É questão de afectos. Quem ama inventa sempre expressões de amor”.
10. É importante que a matriz cristã esteja na acção desenvolvida. “Em que é que as nossas acções se distinguem das outras? Amamos porque acreditamos em Jesus Cristo”.
