As prioridades do Bispo de Aveiro

D. António Francisco está na diocese de Aveiro há meio ano D. António Francisco dos Santos está na Diocese de Aveiro há meio ano. Completa-o no dia 8 de Junho, esta sexta-feira. Não sabemos quanto tempo durou a sua lua-de-mel. Nem se a teve.

Diz D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro de 1962 a 1988, nas incontornáveis “Memórias”, que os bispos também têm lua-de-mel: “recepção festiva”, “inúmeros telegramas”, “visitas de cortesia”, “demonstrações de cordialidade e afecto”. Isto dura umas semanas, no máximo. Depois, “é preciso enfrentar os problemas”. Talvez um dia D. António Francisco conte como foi a sua lua-de-mel.

Para já, numa selecção que só vincula quem assina estas linhas, quando se prepara o momento forte de encontro dos fiéis com o Bispo, que é o Dia da Igreja Diocesana (24 de Junho, em Vagos), anotam-se alguns momentos mais significativos destes primeiros seis meses. Se pudermos resumir no mínimo de palavras, são estas as prioridades do Bispo de Aveiro: os doentes, os pobres, os padres e a cultura.

Por Jorge Pires Ferreira

A PRIMEIRO EUCARISTIA

Após a festa da recepção do novo bispo, na Sé (8 de Dezembro) e no Parque de Exposições de Aveiro (9 de Dezembro), D. António Francisco escolheu o Hospital Infante D. Pedro para celebrar a primeira Eucaristia, na Diocese, fora da Sé. “Assumo as vossas mágoas, partilho das vossas dores, penso em todos os hospitais, lares de idosos e famílias que acolhem doentes”, disse, manifestando “afecto, proximidade e comunhão para com todos os que sofrem”. Na peregrinação diocesana dos doentes, a 27 de Maio, o Bispo de Aveiro diria: “É Cristo que eu vejo no rosto de cada um de vós”. “O serviço aos doentes é uma das formas mais belas de evangelização”.

Os PRIMEIROS ENCONTROS

Após a tomada de posse, o Bispo de Aveiro percorreu toda a diocese, encontrando-se com todos os padres, pelo menos a nível arciprestal, passando por todas as comunidades religiosas e visitando todos os serviços e secretariados diocesanos. A nota discreta de cada um desses encontros saiu e continua a sair nas “Actividades Episcopais”, na página 5 do Correio do Vouga. Notas tão breves não transmitem o que quem se encontra com D. António Francisco experimenta: serenidade, afabilidade e também firmeza do Pastor. Valerá a pena recordar uma frase da saudação à Diocese, no dia da nomeação (21 de Setembro de 2006): “Quero estar junto de vós com a bondade de pai

e servir-vos com a humildade de irmão”.

A PRIMEIRA PÁSCOA

“Se em alguma época ou circunstância a Igreja for tentada pelo desânimo, pelo medo ou pelo pessimismo, tudo isso se deve desvanecer à luz da Páscoa. Aqui renasce em cada ano e cada tempo o dinamismo redentor da fé, a certeza inabalável da esperança cristã e a garantia serena de que toda a vida tem sentido indeclinável e valor eterno”, escreveu o Bispo de Aveiro na Mensagem Pascal.

Para destacar apenas um momento das várias celebrações do tríduo pascal, fiquemo-nos pela manhã de Quinta-feira Santa, quando os sacerdotes renovaram as suas promessas. Disse-lhes D. António Francisco: “A nossa missão consiste em falar de Deus ao mundo e não em queixarmo-nos do mundo a Deus. O padre, que é homem de Deus dado à Igreja e ao mundo, nunca pode ser um paladino do lamento e do pessimismo, mas uma sentinela da esperança, da fé e da vida.

Pertence-nos, como dom e como missão, oferecer à sociedade e ao mundo um olhar de esperança sobre os acontecimentos, realidade e situações, um sinal de luz sobre a alegria e sobre a dor, um gesto de perdão sobre o pecado e sobre o medo e palavras e sacramentos de amor, de acolhimento e de vida aos que procuram Cristo e a tantos que se sentem famintos de Deus”.

AS PRIMEIRAS NOMEAÇÕES

No próprio dia em que tomou posse, como é norma, D. António Francisco confirmou e reconduziu todos os sacerdotes, religiosos e leigos que desempenham algum cargo na diocese de Aveiro. As primeiras nomeações “originais” surgiram no dia 19 de Março de 2007: o Pe João Gonçalves passou a ser o Vigário Episcopal para a Pastoral Geral, enquanto os padres José Carlos Pereira e António Torrão, com o diácono José Carlos Costa, foram enviados em “missão de estudos” frequentar uma pós-graduação em Pastoral da saúde e Capelanias Hospitalares. O padre José Manuel Pereira foi nomeado delegado ao Congresso Eucarístico Internacional (Canadá, 2008). D. António Francisco pediu ainda a D. António Marcelino que acompanhasse o Movimento Vida Ascendente e as Auxiliares do Apostolado.

A PRIMEIRA GRANDE PROPOSTA

No dia 10 de Março, num encontro de pessoas ligadas aos grupos sócio-caritativos, D. António Francisco propôs a realização de um “fórum que congregue instituições de solidariedade social” da diocese, como forma de “implicar, sensibilizar e dinamizar” a caridade dos cristãos. “Falta-nos a alma social”, disse. Esse fórum sobre a “solicitude permanente da Igreja” deverá surgir no ano pastoral de 2007/08, o qual será dedicado à pastoral social. No encontro, no Seminário de Aveiro, D. António afirmou, contundente: “Os pobres não podem esperar. Se adiamos um minuto a nossa ajuda, há alguém que vê o seu sofrimento aumentar”.

A PRIMEIRA BÊNÇÃO DOS FINALISTAS

D. António Francisco ficou muito agradado com a Bênção dos Finalistas, a que presidiu na Alameda da Universidade de Aveiro. Após a celebração – durou mais de duas horas –, recebeu durante largos minutos os cânticos e aplausos entusiasmados de 1100 finalistas e muitos outros jovens universitários e familiares. Na homilia, afirmara: “Viver a alegria deste dia não faz esquecer nem silenciar as dificuldades com que se debatem os novos licenciados, numa sociedade onde o trabalho escasseia e o medo do futuro se instala. Sofremos com aqueles que possuem saber, vontade e coragem e não encontram trabalho. Nunca desanimeis (…). A perseverança é o segredo do êxito”.

Neste meio ano, foi notório o espaço da Universidade nas actividades do Bispo de Aveiro: reuniu com a reitora Helena Nazaré, logo no dia 14 de Dezembro, participou no Dia da Universidade, esteve na visita do Presidente da República à escola, assistiu à entrega dos diplomas… Trata-se, afinal, da atenção a uma das instituições mais marcantes da cidade e região de Aveiro e que representa, em especial, o mundo da cultura.