Educação e Ambiente Qual a relação existe – se é que existe alguma – entre redes de pesca gastas e já sem uso e carpetes? Melhor dizendo, o fabrico de carpetes?
Para muitos, absolutamente nenhuma. Para outros, uma não “vive” sem a outra!
– Perdão? Como pode ser isso?, podem perguntar.
Certo dia houve alguém que, olhando para redes de pesca gastas e já sem uso… – que, posso acrescentar, se acumulam anualmente às toneladas e, segundo estimativa da ONU representam 10% do lixo marinho – pensou:
– “Nylon!”
– Nylon?, podem perguntar novamente.
– “Sim!!! Estas redes são feitas de nylon. E nylon é a matéria-prima usada no fabrico de… carpetes!!!”
Daqui até à constituição de um projecto de cariz ambiental e de responsabilidade social foi um pequeno salto. Um dos parceiros desta ideia é a Sociedade Zoológica de Londres*. O outro, um fabricante de carpetes.
– Então e na prática, o que acontece?, perguntam os nossos leitores.
A resposta é:
– Um projeto piloto, nas Filipinas. Em Danajon Bank. Um projeto que dá pelo nome de “Net-Works”. Os pescadores recebem – do fabricante de carpetes – um incentivo ao recolherem as redes, em vez de simplesmente as abandonarem quando estão gastas e esburacadas. Essas redes são integradas num circuito de recolha e reencaminhamento para reciclagem do nylon. Fabricam-se carpetes a partir desse nylon. As praias ficam mais limpas. E a vida marinha, não ameaçada.
Já agora, acrescento que a zona em questão é rica em recifes de coral. E que, anteriormente, a quantidade de redes abandonadas só naquele local, por ano, era suficiente para dar a volta ao mundo uma vez e meia…
Um exemplo de um “fazer” com sentido. Um “fazer” com sentido eficiente, económico e ecológico.
A terminar: será que cada um de nós deixa por vezes “redes da pesca usadas” espalhadas por aí? Estará a tempo de as recolher? De lhes dar um destino melhor? Mais útil?
Mais informação pode ser consultada em *http://www.zsl.org/conservation/news/old-fishing-nets-make-new-carpets,964,NS.html e na edição do jornal The Guardian disponível em http://www.guardian.co.uk/sustainable-business/creating-sustainable-livelihoods-recycling?CMP=twt_gu .
