Colaboração dos leitores Num passado não muito recente, feiticeiros, bruxos e magos eram considerados sinal de sub-desenvolvimento.
No presente, já não é assim: o fenómeno mágico e adivinhatório atingiu todas as regiões, culturas, estratos sociais; e, nesse âmbito actuam grupos esquisitos envoltos em mistério, tanto antigos, como de instituição recente.
São cada vez mais frequentes os programas televisivos que apresentam entrevistas com astrólogos, magos, curandeiros, vendedores de talismãs e objectos miraculosos. Alguns jornais estão cheios de endereços e publicidade sobre personagens que prometem amor, saúde e felicidade.
Como é possível que, numa época de grande progresso científico, se vá atrás de tais superstições?
Como é possível que fenómenos cujo denominador comum, em princípio, é a irracionalidade, sejam tão bem aceites no nosso ambiente cultural pretensamente evoluído?
Os fenómenos supersticiosos “sobrevivem” no meio da cristandade, como “restos” de concepções religiosas.
São muitas as expressões de teor supersticioso actualmente em voga: a astrologia, que parte da ideia errada de que o universo gira em volta da terra, quando, na realidade, é a terra que gira à volta do sol.
Uma das falsidades desta arte oculta é que as características dos diferentes signos já não correspondem aos meses que lhes atribuem; embora seja certo que os astros exercem alguma influência sobre a Terra e seus habitantes, essa influência não é da natureza que lhe pretendem atribuir.
Existem muitas outras formas de superstição, tais como: adivinhação, lançamento de cartas ou búzios, interpretação de sonhos, quiromância (adivinhação através das linhas da mão e dos sinais presentes no corpo humano), bruxaria, etc.
Refúgio nos momentos difícies
Contra o mal previsto pela astrologia, adivinhação ou magia, havia e continua a haver uma defesa representada pelos amuletos ou talismãs, cuja variedade é imensa, tais como: pedras, vegetais, metais, relíquias e recordações de pessoas e lugares, figas, estrelas de David e até ferraduras…
O homem julga conseguir defender-se de riscos e obter muita sorte, bem-estar, abundância e saúde.
Todas as formas de superstição derivam da insegurança perante a vida, frente às mais diversas vicissitudes e da necessidade inata de defesa dos riscos imaginários ou reais.
Com efeito, não é raro que o instrumento ou prática supersticiosa, devido a um semi-analfabetismo religioso, seja associada a elementos cristãos: é típico o fenómeno das “cadeias” de Santo António, das sandálias de São Pedro, das orações infalíveis a São Judas Tadeu, etc., com a obrigação de se divulgar um certo número de cópias, sob pena de castigos; e ainda trazer a imagem de Santo Onofre, para se ter sorte nos negócios e obter muito dinheiro. A lista destas crendices é tão variada como irracional.
Quando falta a componente espiritual cristã, equilibrada e esclarecida, o homem procura outras fontes de segurança e paz interior, quer nas filosofias e práticas orientais, quer no espiritismo, superstição e bruxaria.
Eduardo Rodrigues, Curia
