Memória CV – Há 66 anos Restaurada a diocese de Aveiro em 1938, de imediato surgiu um movimento que pretendeu dar-lhe como padroeira aquela que já o era da cidade: Santa Joana (6/02/1452 – 12/5/1490), filha de Isabel e Afonso V, que trocou a realeza pelo convento de Aveiro.
Escrevia-se no Correio do Vouga de 12 de Fevereiro de 1939 (logo após a restauração da diocese) que era necessário “não deixar cair este nome nas sombras do silêncio e do sono”, “acender uma vela no seu sepulcro”e “limpar a camada de poeira do seu manto”. Ou seja, criar um movimento para que o Papa viesse a proclamar Joana como padroeira da diocese. Havia um impedimento: a Princesa tinha sido “apenas” beatificada (em 1693, por Inocêncio XII). Para ser padroeira, tinha de ser santa. Ora, o povo e as autoridades religiosas não esmoreceram e, no dia 5 de Janeiro de 1965, Paulo VI permite que ela seja proclamada padroeira da diocese de Aveiro, com todos os privilégios inerentes. A notícia surge nas páginas do CV apenas no dia 9 de Abril, e é tão especial que essa edição é impressa em papel mais branco e brilhante (“couché”). Começa assim o documento papal: “A flor da santidade, com o auxílio de Deus, floresceu brilhantemente e deu magníficos frutos em todas as classes sociais, conforme a história da Igreja o demonstra; assim aconteceu entre os reis e as famílias reais não menos do que entre os pobres e humildes. Também a fértil e feliz terra lusitana, tão rica de santos, não só se gloria de Isabel, conhecida como «Rainha Santa», mas também de outra Santa Aveirense, descendente de régia estirpe.”
