1 – Todos sabem que não é fácil: remar contra a maré, como nadar contra a corrente, é um redobrado esforço, com um resultado imediato menos visível. Importa saber se, entretanto, o resultado profundo não é substancialmente bem mais apreciável. Basta pensar que: remar contra a maré pode ser a salvação da embarcação; nadar contra a corrente leva no caminho de poder beber a água límpida da nascente, quando o contrário levará a intoxicar-se com o lixo da foz.
2 – Reflectindo “Que fazer hoje para amar sempre?”, a Associação Portuguesa de Centros de Preparação para o Matrimónio está a remar contra a maré, está a nadar contra a corrente. Os sinais detectados de aproximação dos membros nas famílias – expressões afectivas, diálogo, transparência e solidariedade – são o resultado: da insistência na escuta e abertura ao outro; da insistência na capacidade de reflectir os erros; da persistência em fazer entender que amar é o projecto mais sério e importante da vida; da teimosia em fazer crer que, para amar em verdade, é preciso criar, desenvolver e saborear a experiência da comunhão em cumplicidade, porque ninguém cresce sozinho.
Mas é evidente que tudo isto é ao arrepio da civilização do egoísmo, do comodismo, do hedonismo, da intolerância, da mentira, das águas turvas, do rancor, da vingança… Mas vale a pena, porque esses ténues sinais positivos são a garantia da permanência e da regeneração da humanidade!
3 – Também a remar contra a maré e a nadar contra a corrente está a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, ao subordinar o II Serão Nacional da Família ao tema genérico “Família – Semente do Futuro”, desdobrado, em Aveiro, no tema “Família e Amor na Doença e na Morte”. Para além de todo o edifício jurídico que cria entraves à Família como célula base da sociedade, retirando-lhe possibilidades de o ser e estimulando a omissão como regra, a corrente de opinião gerada pelos media – pensemos na recente atribuição de prémios a dois filmes favoráveis à eutanásia, no tratamento do drama terrível de Terry Schiavo – não pára de vender a “coisificação” da vida, a sua avaliação utilitarista e a sua disponibilidade arbitrária, pelos beneficiários ou terceiros.
4 – É, pois, remar contra a maré e nadar contra a corrente defender estas causas, propor estes princípios, dizer felizes estas circunstâncias que muitos consideram incómodas. Mas haja quem nos defenda da septicemia da desumanidade, da virose da selvajaria, da galopante peste do utilitarismo, do retorno à idade em que se atirava o nascido deficiente abaixo da colina ou se levava o velhinho ao monte… em nome da vida!… despreocupada, entenda-se!
Paradoxo de um mundo que se curva diante da envergadura moral de João Paulo II, mas que volta as costas às suas interpelações e existencial exemplo! Haja quem reme contra a maré e nade contra a corrente!
