Pe João Alves*
É importante e urgente repensar a forma como as paróquias servem os cristãos, e perceber que as nossas paróquias apresentam desafios tão diversos que os padres, sozinhos, não são capazes de responder com qualidade.
1. Ecos…
Ao longo desta Semana de Teologia Pastoral, que decorreu em Madrid de 25 a 27 de Janeiro, tivemos oportunidade de reflectir um pouco sobre a realidade ‘Paróquia’, fazer como que um balanço da sua evolução ao longo da história, olhar para o marco histórico que foi o Concílio Vaticano II e a visão renovada apresentada no actual Código de Direito Canónico e lançar alguns desafios a uma reflexão actual e renovada da própria realidade paroquial.
Sendo a paróquia uma instituição que nasce na Igreja por volta do século IV, ela foi muito posta em causa durante o século XX, começando esta contestação no período de renovação pré-conciliar, a partir dos anos vinte. Apesar de já se ter vaticinado a ‘morte’ da paróquia, a verdade é que ela está aí, na vida da Igreja, da nossa Diocese, nas preocupações dos nossos padres e de todo o Povo de Deus, talvez porque a própria paróquia seja o espaço (físico e humano) mais próximo da vida dos cristãos. No entanto, urge repensar esta forma de proximidade das pessoas, da fé, dos sacramentos, da caridade, dos padres… enfim, de tudo aquilo que comporta a realidade paroquial; repensar talvez a paróquia na sua configuração territorial e na sua missão.
Ao longo da semana vivida, fomos ouvindo algumas palavras-chave referidas ao contexto paroquial: universalidade; estrutura estável; não auto-suficiente; comunidade aberta; paróquia missionária; pastoral de conjunto; abertura ao mundo; opção preferencial pelos pobres. À medida que passavam os conferencistas e as mesas redondas, ouviam-se chavões próprios de quem reflecte estas realidades e de quem se vai ocupando e preocupando por fazer da ‘sua’ paróquia esse espaço de anúncio, vivência e celebração do evangelho.
2. Desafios…
No fim destes dias de reflexão, as conversas tidas entre os padres que participaram, quer da diocese de Aveiro quer de outras dioceses do país (Beja, Açores e Guarda), tinham a mesma tónica: é importante e urgente repensarmos a forma como nós, padres, estamos a servir a comunidade e a forma como estamos a trabalhar em conjunto, com outros padres e com os demais agentes de pastoral; percebemos também que as nossas paróquias apresentam desafios tão diversos que, sozinhos, não somos capazes de responder com qualidade.
O tema e realidade das Unidades Pastorais foi apresentado por vários conferencistas como um dos caminhos da Igreja em Espanha (e com certeza em Portugal!), mas, ao mesmo tempo, também falta ainda muita reflexão e experimentação sobre esta realidade pastoral e, de um modo particular na nossa Igreja aveirense, algo que seja mais que (es)forçar mais paróquias a um padre ou equipa de padres.
Como conclusão destes ecos e desafios da semana de formação, ficam algumas perguntas e afirmações que foram lançadas e que entre nós, padres participantes, foram motivo para reflexão nos intervalos e à mesa do café:
– Paróquias novas ou novas paróquias?
– Pastoral de conjunto não é o conjunto das pastorais.
– Ou a paróquia vive em dinâmica missionária ou não é paróquia.
*Paróquia
de São Salvador de Ílhavo
Paróquia, o que é?
• É a comunidade de fiéis, constituída estavelmente no contexto de uma diocese (ou igreja particular), cuja pastoral o bispo confia a um pároco como seu pastor próximo.
• O termo “paróquia provém” do grego, significando “unidade de vizinhança”.
• Em geral, a paróquia é territorial, dela fazendo parte todos os fiéis do território.
• Pode haver paróquias pessoais, por motivos de língua, naturalidade, rito ou outro.
• A criação, supressão e alteração de limites das paróquias é da competência do bispo, ouvido o conselho presbiteral.
• Cada paróquia deve ter em dia os livros paroquiais, um arquivo para guarda dos livros e demais documentação e selo próprio para autenticar atestados.
• Os bens da paróquia são administrados nos termos das leis do Código do DireitoCanónico.
Adaptado de: Manuel Franco Falcão, Enciclopédia Católica Popular, Paulinas, 2004.
