À Luz da Palavra – XVIII Domingo Comum – Ano C Se quiséssemos resumir numa frase o essencial da liturgia da palavra deste domingo, era certamente esta a que melhor a exprimiria: “Aspirai às coisas do alto, onde está Cristo”. A cristã e o cristão, baptizados em Cristo, acolhem em seu coração o gérmen da vida eterna, constantemente activado pelo Espírito Santo, que os leva a desejar, acima de tudo, os bens espirituais. Porém, as vicissitudes da vida, o mal que nos envolve, as tentações do ter e do poder, da honra e da fama, podem abafar o gérmen da vida do alto, e fazer de nós pessoas materialistas, prepotentes, gananciosas, avaren-tas, sempre insatisfeitas. Porque nunca os bens materiais, só por si, satisfizeram alguém! Quem mais tem, mais quer. É este o círculo vicioso, a que estamos habituados.
A primeira leitura, tirada do livro sapiencial de Coelet, contesta radicalmente esta filosofia de vida, chegando ao ponto de afirmar que o trabalho e as canseiras humanas de nada valem. “Tudo é vaidade”, isto é, tudo é vazio como o vento.
Na terceira leitura, Lucas, dirigindo-se a uma comunidade, onde as desigualdades sociais eram gritantes, narra-nos a parábola do homem que durante toda a sua vida só pensou em arrecadar para si bens materiais. Nunca pensou nos pobres, nem «gastou» tempo com Deus, na oração. “Insensato!”, diz-lhe Deus. Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste para quem será?”.
Na segunda leitura, Paulo, escrevendo aos Colossenses, recomenda-lhes que o que é importante é afeiçoar-se “às coisas do alto e não às da terra”. E acrescenta, que é preciso fazer morrer o ser humano carnal, que em nós existe, e desenvolver o ser humano espiritual, aquele de que fomos revestidos no dia do nosso baptismo e que fez de nós imagem de Deus, porque participantes da natureza divina. Esta é a verdadeira ciência da vida!
Estes textos foram escritos para cada um de nós, hoje. Na nossa vida pessoal e na da sociedade em que estamos mergulhados, encontramos os mesmos problemas e dificuldades que a palavra deste domingo nos narra. O período de Verão, tempo de férias, de retiro ou de cursos pastorais, é propício a uma profunda revisão de vida. Como estou eu a fazer crescer o ser espiritual que em mim existe? A que dou mais valor: ao material ou aos bens do alto? Sei repartir com os outros os dons que Deus me concede? Que lugar ocupa Deus na minha vida? Sou dos que dizem que não tenho tempo para ir à missa, rezar, fazer voluntariado, participar em encontros de formação cristã, fazer um fim-de-semana de recolhimento e oração? Em que direcção caminho eu? Que proveito tiro dos meus trabalhos, ânsias e fadigas? Estou a ser sábia ou insensata?
XVIII Domingo Comum: Co (Ecle) 1,2;2,21-23; Sl 90 (89),3-6.12-14.17; Cl 3,1-5.9-11; Lc 12,13-21
Deolinda Serralheiro
