“Somente o Papa poderá fazer uma escolha alternativa, caso as suas condições o impeçam de governar a Igreja”, afirmou D. Saraiva Martins, o cardeal português responsável pela Congregação para a Causa dos Santos, em entrevista ao “Diário de Notícias” de domingo. “Ele continua a comunicar, com as suas mensagens e aparições”, diz o único cardeal português no Vaticano.
D. Saraiva Martins considera que a questão da resignação não se põe, “mas, afirma, não digo que não se venha a pôr…” “Hoje, o serviço é menos vistoso, mas talvez até mais edificante e eficaz”, diz o cardeal que ensinou a língua portuguesa ao Papa. “Mesmo com o silêncio, o Papa comunica. De um modo diverso, talvez mais incisivo, profundo, eficaz. Através da doença, fala não só à Igreja, mas à humanidade. Anuncia o Evangelho com o próprio sofrimento. A palavra é diferente agora: fala com uma linguagem diversa, não só com a boca, mas com o exemplo. A humanidade está farta de palavras; quer factos, coerência (…) A sua paciência e força no caminho da cruz infundem coragem ao mundo inteiro. Ate quando? Só Deus sabe”, conclui o cardeal.
