Autarcas da AMRia/GAMA querem Urgências

Em carta enviada ao anterior ministro da Saúde Em carta enviada ao anterior ministro da Saúde, Correia de Campos, poucos dias antes da sua substituição, os presidentes das câmaras municipais da AMRia – Associação dos Municípios da Ria e da GAMA – Grande Área Metropolitana de Aveiro decidiram, por unanimidade, solicitar a instalação de um Serviço de Urgência Polivalente no Hospital de Aveiro e a passagem deste à condição de Hospital Central.

Os autarcas realçam que apesar do conjunto dos municípios que integram a AMRia e a GAMA ter “430.000 habitantes, acrescidos de milhares de visitantes durante todo o ano”, a que se juntam instituições de ensino superior, unidades industriais e estruturas portuárias que “exigem serviços de saúde qualificados, diversificados, acessíveis e com capacidade de resposta à altura das exigências e da necessária qualidade de vida”, o Governo “tem vindo a encerrar urgências (Ovar e Anadia, tendo perspectivado também encerrar em Estarreja) e a concentrar a resposta aos cidadãos nos Hospitais de Santa Maria da Feira e de Aveiro, que estão claramente em situação de sobrelotação e com imensas dificuldades de resposta. Aliás, em Aveiro, sucedem-se episódios inaceitáveis de demora no atendimento ou no tratamento na Urgência, com faltas graves de qualidade que deram seguramente contributo para a perda de algumas vidas”.

Por isso, os autarcas dizem que é “urgente dizer basta”. “Vimos alertar o Governo para a urgência de uma boa intervenção nos serviços de saúde, em nome da vida dos cidadãos da nossa região”, afirmam.

Os presidentes dos executivos municipais da GAMA exigem ao Governo “que disponibilize a esta população e a esta região, uma rede de cuidados de saúde que tenha um Hospital Distrital capaz e dotado de uma Urgência Polivalente: o Hospital de Aveiro tem de assumir a condição de Hospital Central, com Urgência Polivalente, acabando com a situação absurda de quase meio milhão de cidadãos residirem a cerca de uma hora de uma estrutura desse género, o que é inadmissível, e tomando medidas urgentes de reforma e de capacitação do Hospital de Aveiro”. Essa exigência é, na opinião dos autarcas, ainda mais premente porque “Coimbra tem dois Serviços Polivalentes e Aveiro não tem nenhum, quando é a sub-região da Região Centro com mais população, com maior crescimento populacional (15%), que mais contribui para o PIB regional e nacional, que garante metade das exportações de todo o Centro (47%) e que tem 20% da superfície industrial da Região”.

O Governo deve “rever as suas decisões de reformulação da rede de Serviços de Saúde, nomeadamente no que respeita aos Serviços de Urgência dos Hospitais de Aveiro e também de Ovar, de Estarreja e de Anadia, cujo encerramento das Urgências Básicas consideramos prejudicial para o bom serviço às populações abrangidas, integrando essa análise com outros serviços de saúde relevantes, como são os SAP’s, as Extensões de Saúde, e mesmo as disponibilidades e/ ou necessidades de ambulâncias e viaturas de emergência médica”, afirmam os líderes municipais da GAMA.

Igualmente, “deve o Governo ter em consideração o facto de os Hospitais de Santa Maria da Feira e de Aveiro já não darem resposta adequada às urgências da região, vindo progressivamente a confirmar-se o que era previsível: um claro agravamento da resposta aos cidadãos/ utentes ao longo dos últimos meses, os serviços de saúde estão mais longe, mais lentos, mais caros e menos eficientes”.

C.F.