Autarquias aveirenses em livro

Livro de Amaro Neves “não é para dizer bem dos autarcas”, mas para perceber a evolução do poder local.

Na apresentação do seu livro “Das Autarquias Aveirenses”, que decorreu na Biblioteca Municipal de Aveiro, no dia 17 de Fevereiro, o historiador aveirense Amaro Neves sublinhou que as autarquias aveirenses, em especial as juntas de freguesia, representam um vasto campo de estudo e investigação histórica que urge fazer.

Na presença do presidente e do vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Élio Maia e Carlos Santos, dois autarcas com vasta experiência de trabalho nas e com as juntas de freguesia aveirenses, o historiador defendeu a criação de um verdadeiro arquivo histórico municipal que reúna toda a documentação dispersa pelas freguesias, de modo a preservar a história local e regional, bem como possibilitar uma melhor investigação histórica desses documentos.

Apesar de dizer que este livro “não é para dizer bem dos autarcas”, porque mantém o distanciamento e a imparcialidade que qualquer obra histórica deve apresentar, Amaro Neves realçou que, em vários períodos, sentiu que, por diversas vezes, “a cabeça dos autarcas esteve a prémio” devido a decisões que tomaram no exercício das suas funções.

A apresentação da obra esteve a cargo de Carlos Santos, que considerou “Das Autarquias Aveirenses” um livro imprescindível para se conhecer a história e a evolução das autarquias que hoje formam o concelho de Aveiro, ao mesmo tempo que é um acto de homenagem ao trabalho e às dificuldades sentidas pelos autarcas, em especial os das juntas de freguesia, na concretização dos seus mandatos.

O vice-presidente da CMA observou que geralmente os presidentes das juntas de freguesia e restantes membros das juntas e das assembleias de freguesia ficam no “esquecimento da história”, sendo mesmo alvo de críticas injustas por parte dos seus concidadãos, apesar de terem toda a legitimidade democrática que advém do facto de serem eleitos por sufrágio directo e universal.

Na presentação de “Das Autarquias Aveirenses”, Élio Maia, que assina a “nota de abertura” da obra, afirmou: “Respeitámos o passado, dignificámos o presente e estamos a preparar o futuro”.

O livro descreve a evolução do municipalismo e das autarquias locais ao longo da história, desde os primórdios da Idade Média, passando pelas reformas introduzidas no reinado de D. Manuel I e na dinastia filipina, bem como as do período liberal e as do final da monarquia. De seguida, aponta as principais medidas surgidas com a implantação da República e o Estado Novo, terminando com as autarquias do pós-25 de Abril de 1974.

Na parte final do livro, que já havia sido pré-apresentado a 26 de Janeiro, no decorrer da homenagem municipal aos autarcas aveirenses, há notas úteis e curiosas sobre as sedes das juntas de freguesia, os eleitos e documentação de interesse histórico e social que estas autarquias locais possuem e que é relevante para a história de Aveiro.

Cardoso Ferreira