Questões Sociais Acha-se muito difundida, entre os católicos, uma alta satisfação pelo papel das instituições da Igreja no domínio social; afirmam, com justiça, que a acção social da Igreja tem sido decisiva na luta contra a pobreza. Contudo, isso não impede de perguntar se a Igreja (especialmente no que se refere aos leigos) está a corresponder às exigências da sua missão no domínio social.
Para a resposta a esta questão, há que ter presentes os três objectivos fundamentais da acção social da Igreja. Tais objectivos foram clarificados na segunda Semana Nacional de Pastoral Social realizada em Fátima, em 1984, pela respectiva Comissão Episcopal. O pequeno livro do Núcleo de Diálogo Social «Acção Social Paroquial» (Paulinas Editora, 2010, págs. 106-109 e 127-128) veio relembrar e actualizar estes objectivos, que são os seguintes: Serviço directo às pessoas, sobretudo às mais necessitadas; humanização das estruturas sociopolíticas; e participação em processos de desenvolvimento. O mesmo livro também relembra e actualiza as actividades correspondentes a cada objectivo (págs. 112-120 e 139-148).
Confrontando estes objectivos e actividades com a acção social que os leigos vêm desenvolvendo em Portugal, notam-se algumas lacunas e insuficiências bastante graves. Em relação ao primeiro objectivo – serviço directo às pessoas – nota-se em especial que: Não existem grupos de acção social em muitas paróquias; nos grupos existentes, não é assegurada, muitas vezes, a representação de todas as zonas da paróquia, ficando prejudicada a relação de proximidade; não se elaboram estatísticas dos casos sociais atendidos; falta em geral a articulação regular entre os grupos, as instituições particulares e os serviços públicos de acção social… Em relação ao segundo objectivo – humanização das estruturas sociopolíticas – nota-se, além do mais, que: Não se encontra generalizada a prática da «revisão de vida» sobre o papel dos leigos nas diferentes estruturas, que vão desde a família até à ordem internacional; não existe, em geral, diálogo aprofundado entre os leigos com diferentes posicionamentos no trabalho, na política e nos outros domínios, procurando os consensos possíveis; consequentemente, e salvo raras exceções, os leigos organizados não formulam propostas para a solução dos diferentes problemas com que o país se debate… Em relação ao terceiro objectivo – participação em processos de desenvolvimento – são raras as paróquias onde esta linha de acção está a funcionar…
