Questões Sociais 1. Vivemos, há séculos, num contexto de maniqueísmo, de propensão inquisitorial e de desigualdades acentuadas. Neste contexto, os processos de avaliação deveriam rodear-se de cautelas especiais. Recomenda-se, particularmente, que as avaliações sejam relativizadas, prospectivas e partilhadas.
Qualquer avaliação é sempre relativa. Enquanto relativa, ela é limitada em profundidade e em extensão; nunca pode atingir a pessoa humana enquanto tal, na sua identidade e dignidade, e, por outro lado, limita-se apenas apenas a alguns aspectos. Além disso, não pode configurar-se como estigma para as pessoas ou instituições avaliadas.
2. Para que a avaliação não seja estigmatizante, também não pode ser exclusivamente retrospectiva, como se a existência da pessoa ou instituição avaliada ficasse parada no tempo, reduzida a mero objecto do avaliador e de seus juízos supostamente definitivos; pelo contrário, impõe-se que se assuma em termos prospectivos e como instrumento de gestão, no futuro, da entidade avaliada. Ainda hoje, muitas pessoas vivem estigmatizadas pelas classificações atribuídas na vida escolar e muitas empresas e outras entidades acham-se marcadas por uma avaliação, ou imagem, desfavorável atribuída em determinado momento passado.
3. Os riscos de a entidade avaliada ficar reduzida a objecto da avaliação, e estigmatizada por esta, podem atenuar-se consideravelmente se a avaliação for partilhada. Isto é, se consistir num processo de cooperação e de serviço em que o avaliado é um sujeito, e não mero objecto, em pé de igualdade com o avaliador. Sem prejuízo da diferença de posições, o avaliador não pode comportar-se como ser transcendente, enigmático e ridiculamente misterioso. Ele, tal como o avaliado, é uma pessoa também “avaliável”, até no processo de avaliação e pelo próprio avaliado.
A partilha e a reciprocidade, entre avaliado e avaliador, traduzem-se afinal na cooperação entre ambos, e com as organizações em que se integram, na procura de melhores orientações tendo em conta os aspectos positivos e negativos do passado.
A avaliação relativizada, prospectiva e partilhada poderia constituir um factor decisivo na humanização e eficácia das organizações e no desenvolvimento gratificante das pessoas.
