Jogo sujo… Em nome da liberdade, claro!

Em cima da linha Já nos anos 60, o Concílio Vaticano II proclamou a Liberdade Religiosa como um direito absoluto. O nosso mundo só chegou lá muito mais tarde. Chegou, legislou, mas não cumpre.

A Comunicação Social e quem nos governa não têm tratado igualmente todas as religiões, porque não respeitam da mesma forma todas as expressões religiosas. Exemplo: Tem-se proibido a religião católica, nas escolas, de expor cartazes (publicitários) de Educação Moral e Religiosa Católica e impõe-se a obrigatoriedade da afixação de cartazes de outras religiões. Há mesmo uma igualdade de tratamento, não há? A liberdade religiosa implica a mesma medida para todas.

Curiosamente, e com razão, o Governo decretou que não quer a Igreja Católica representada em cerimónias oficiais, a não ser que, para isso, seja expressamente convidada, mas manda para a Igreja os avisos para a limpeza da floresta e tantos outros, e convida, quando lhe dá jeito, a autoridade eclesiástica, que, por sua vez, em circunstâncias de carácter religioso, até lhes guarda os primeiros lugares, por exemplo, em Fátima. E quando assim não acontece… Em que situação foi que um ministro, à porta de uma igreja, em Lisboa, justificava estar cá fora por não ter lugar reservado lá dentro? Veja se se lembra…

Os nossos governantes fazem muitas leis que não são para cumprir. Permite-se, por este país fora, em nome da liberdade, achincalhar as religiões cristãs de muitas formas públicas e camufladas.

Apareceu, há dias, em jornais diários e em cartazes, a publicidade a uma peça de teatro espanhola, com um título verdadeiramente blasfemo, com imagens baixas e indignas, e com uma mensagem que é um atentado à sensibilidade religiosa da maioria dos portugueses e ao respeito que merecem aqueles que têm a sua vida pautada por valores religiosos. E trazer da Espanha o lixo, quando podíamos importar de lá tanta coisa boa… Somos assim!

A liberdade permite que cada um diga, pense e actue sem outras restrições que não sejam as fronteiras do respeito pela liberdade dos outros. Ninguém, em nome da liberdade, pode perseguir ou agredir, mesmo ideologicamente, os que não pensam da mesma forma. E isto não é fanatismo. É liberdade! É respeito!

Vemos e sentimos em Portugal uma guerra contra a Igreja Católica, como se esta fosse a causa de todas as desgraças deste país. A Igreja não pode manifestar-se na defesa da vida, nada tem a dizer sobre educação, não lhe cabe direito de se pronunciar sobre assuntos relacionados com ética e moral, não se pode meter no campo da cultura, não pode ter intervenção política nem social. Só pode rezar dentro das igrejas (fora só as procissões porque não inquietam ninguém!), e desenvolver obras de assistência social porque isso até dá jeito e poupança ao Estado. Dando pouco mais que gorjetas, o Estado controla tudo.

Não há dinheiro para as Obras Sociais; não há dinheiro para ajudar Instituições de Cultura e Solidariedade; não há dinheiro para os grupos amadores e populares de Teatro; mas há dinheiro para apoiar a dita peça de teatro que, durante cerca de um mês vai estar no Teatro da Comuna, em Lisboa, à maneira dos “bons” programas de televisão, injectar mais veneno através do ridículo e da baixeza das palavras e das atitudes.

O Estado não pode permitir nada que seja atentado à liberdade religiosa. Muito menos pode apoiar aquilo que agride a mesma liberdade religiosa. Vejam só quem é que está a apoiar esta vil iniciativa: Ministério da Cultura; Centro Cultural de Belém; Instituto das Artes; Câmara Municipal de Lisboa; Embaixada de Espanha e Cerâmica de Valadares.

Fique bem claro que a minha indignação resulta da baixeza da peça e das ideias que são levadas a palco, (a julgar pelos cartazes), mas aumenta sem medida ao tomar conhecimento dos apoios estatais dados para o efeito, quando conhecemos, por experiência própria, que a mina do dinheiro em Portugal é a bolsa dos contribuintes.

Já agora, quanto terá dado o Estado para a Procissão do Corpo de Deus em Lisboa?

Não creio que tenha dado nada, mas se deu, garanto-vos que a Comunicação Social vai jogar ao ataque, porque quanto a isto continuará calada.

Para terminar, e a propósito do título da peça de Teatro que eu não escrevo aqui, só pergunto o que aconteceria se no local de Diós (Deus) lá estivesse Governo ou Estado a serem lançados pelo esgoto abaixo? Tal atrevimento levaria à cadeia!