Jornadas da Ria de Aveiro – I O Porto de Aveiro tem condições para receber navios de cruzeiro, embora ainda não dispute esse mercado.
Entretanto, na segunda-feira, o “Hanseatic” fez escala em Aveiro.
No debate sobre os potenciais económicos e turísticos da Ria, que decorreu na Universidade de Aveiro, no dia 13 de Setembro, integrado nas I Jornadas da Ria, pairou a questão da marina da Barra. Não foi o único assunto debatido, mas foi o que mereceu comentários de todos os intervenientes. Rui Paiva, representando a APA, Administração do Porto de Aveiro, lembrou que a primeira versão do projecto foi chumbada, em Março de 2003, por motivos ambientais, mas sublinhou as potencialidades deste “equipamento dinamizador da região de Aveiro”: um projecto privado de 200 milhões de euros; intervenção em 58 hectares (31 em área seca); 3 docas com profundidades até 24 metros; 858 lugares de acostagem.
Segundo Rui Paiva, as embarcações resi-dentes e os “milhares de veleiros estrangeiros que navegam na nossa costa” seriam um factor de promoção, “tendo em conta o estilo sócio-económico” dos donos dos veleiros. Ou seja, quem tem veleiro tem dinheiro; logo, a indústria turística tem tudo a ganhar.
O administrador da APA adiantou também a possibilidade de o Porto de Aveiro receber cruzeiros.Investimentos recentes na estrutura portuária permitem disponibilizar espaço de acostagem para tráfego regular ou ocasional de navios de cruzeiro. “É uma das novas apostas do Porto de Aveiro”, disse, para, a seguir, sugerir percursos culturais e gastronómicos que os turistas poderiam fazer pela região: Bairrada, leitão, Buçaco…
Carlos Costa defendeu que, num projecto como o da Marina, é necessário questionar o modelo económico associado. No Algarve, conforme referiu o economista da UA, o modelo esteve assente no sector imobiliário, com as consequências gravosas que se conhecem. Seguir o mesmo em Aveiro, com pressão imobiliária junto à ria, seria um erro, pelo que é necessário responder muito bem à pergunta que no debate ficou sem resposta: “Qual a posição competitiva em relação às outras marinas?”
Em intervenção anterior, Maria Isabel Vinagre, da Direcção-Geral de Turismo, notou que o “potencial turístico está subaproveitado” e apontou “produtos para a valorização turística da zona da Ria”. São eles: desportos náuticos (vela, canoagem, remo, etc.); produtos ligados às actividades económicas tradicionais, como a apanha de moliço, a extracção de sal e a pesca na Ria; actividades de animação, como festas e romarias; gastronomia; e observação, contemplação e interpretação ambiental. Este último filão, o do turismo ambiental, tem grandes possibilidades de crescimento. O “turista verde”, que gosta de fazer caminhadas de observação de fauna e flora, encontra na Ria imensas possibilidades, sendo necessário, para isso, “criar percursos, abrigos e apoios sinaléticos”, conforme referiu Maria Isabel Vinagre.
Respondendo a Carlos Costa, que afirmara que a melhor forma de divulgação turística é o “passa a palavra” e a Internet, Pedro Silva referiu que a página da Rota da Luz na Internet, apesar de funcional e actualizada, é a menos visitada entre todas as das regiões de turismo, o que revela um problema de identidade. “Ninguém sabe o que é Rota da Luz”– reconhece o presidente desta região de Turismo, que, noutra ocasião, chegou a avançar com a designação “Região da Ria” e, desta vez, referiu expressões como “Região de Água” ou, referindo-se a Aveiro, “Cidade de Água”.
Pedro Silva adiantou dois elementos que normalmente não são tidos em conta no planeamento turístico da região. Primeiro, os limites do território têm de ser repensados, porque “o turista vem atrás de um produto e não pensa em divisões geográficas”, o que implica que as divisões municipais fazem pouco sentido em termos turísticos e que a RTRL tenha de trabalhar a sua promoção com outras entidades, como é exemplo o Aeroporto do Porto (a 35 minutos de Aveiro). Segundo, os “produtos singulares”, que fazem da cidade de Aveiro a mais competitiva da região centro – revelados num inquérito –, não são os tradicionais ovos moles e o moliceiro, mas a “mobilidade alternativa”, simbolizada nas bugas, e as zonas wireless (vários espaços da cidade onde se pode ter acesso à Internet a partir do computador pessoal portátil).
O presidente da RTRL referiu ainda que, em relação ao turismo, “o problema não é o número de turistas que nos visitam; o problema é que não ficam cá. Vão para o Porto, para Coimbra”. No entanto, há sinais de mudança. A criação do “Vai-vem Turístico” (mini-autocarro que oferece dois percursos, o Vista Alegre Tour e o Faina Maior Tour – ver CV de 30 de Agosto) e o autocarro panorâmico parecem estar a prender turistas à cidade. Pedro Silva espera que os resultados dos inquéritos às unidades hoteleiras confirmem as primeiras impressões.
Discurso directo
“Na zona da Ria da Aveiro, pode haver turismo cultural, turismo de caminhadas, turismo ecológico e turismo marítimo”.
Maria Isabel Vinagre, subdirectora da Direcção Regional de Turismo
“Estamos a equacionar a possibilidade de o Porto de Aveiro receber navios de cruzeiro. A região tem um cabaz turístico, principalmente gastronómico, que pode proporcionar bons circuitos”.
Rui Paiva, administrador da APA
A região centro tem apenas 8% das dormidas turísticas, mas, se traçarmos uma circunferência com 150 km de raio e com centro em Aveiro, temos 37% das dormidas. Passa a ser a primeira região turística do país.
Carlos Costa, professor de Economia na UA e director da “Revista de Turismo & Desenvolvimento”
No início, nenhum operador estava interessado no “city tour” do autocarro panorâmico. Em Agosto, tivemos 3997 passageiros. Agora já há três operadores interessados para o próximo ano.
Pedro Silva, presidente da RTRL
