Jornadas da Ria de Aveiro – II Debate no auditório do Parque de Feiras sublinhou as potencialidades agrícolas da Ria de Aveiro.
“Que saia alguma coisa disto”, foi o voto formulado por Paulo Pereira, no início da intervenção que proferiu, no sábado, no seminário “Ria de Aveiro, uma zona costeira: perspectivas / estratégias para uma gestão integrada”, integrado na “Sorria – Jornadas da Ria de Aveiro” , promovido pela Câmara Municipal de Aveiro.
Para este especialista em agricultura biológica, “somos um país só de diagnósticos”, de que é exemplo a Ria de Aveiro, que foi e continua a ser alvo de toda uma vasta gama de estudos, mas onde pouco se faz no terreno.
Paulo Pereira defende a redução da área da REN (Reserva Ecológica Nacional), até porque a “maioria está abandonada, é alvo de todo o tipo de atentados e de especulações”, para que haja melhor reserva ecológica. A par disso, “urge o ordenamento do território agrícola”, de modo a “potenciar os recursos financeiros e humanos”.
“Os problemas estruturais na agricultura continuam, porque não há ordenamento agrícola no país”, referiu Paulo Pereira, que lamentou ainda o facto de que “os nossos autarcas normalmente se esquecem da agricultura, mas ela é essencial para o ordenamento da região”.
A região de Aveiro tem condições excepcionais para a agricultura, incluindo a biológica, como sublinhou esse especialista nessa área, ao enumerar factores competitivos da região: elevada média das temperaturas mínimas no Inverno, baixa média das temperaturas máximas no Verão, bons períodos de insolação de Inverno, frequência de ventos e nevoeiro no Verão, a que se junta ainda o solo arenoso.
Margarida Nunes, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC), apresentou o “Quality Coast Label”, uma espécie de certificação turística para destinos costeiros sustentáveis, desenvolvido no âmbito da Rede CoPraNet, a qual engloba 21 parceiros (um dos quais a CCDRC), de onze países da União Europeia, co-financiado pela própria União Europeia.
A zona de Aveiro é uma das que está a ser alvo de estudo para a sua inclusão no “Quality Coast Label”, o qual é um complemento à “Bandeira Azul”, já que esta certifica a qualidade da praia, enquanto aquele certifica um território costeiro mais abrangente e que tem em conta um maior e diversificado número de indicadores, entre os quais, os que se referem ao desenvolvimento sustentável, à protecção do ambiente e à promoção e protecção do património cultural e das tradições, de modo a testar as boas práticas de gestão em zonas costeiras no que se refere ao turismo sustentável, à qualidade das praias e ao combate à erosão costeira.
A publicação de um guia multilingue, a existência de um site na Internet, a edição de um “newsletter” electrónico (em diversas línguas) e a criação de um glossário de termos sobre gestão integrada de zonas costeiras, são também algumas das coisas postas em prática pelos parceiros envolvidos nesse projecto.
Inês Amorim, da Universidade do Porto, historiou a importância da Ria de Aveiro, e do porto de Aveiro, facto reconhecido pelo Marquês de Pombal, que nomeou uma entidade, directamente dependente do governo, para coordenar os trabalhos de abertura da barra, entidade que estava acima de qualquer autoridade local. Desde então, a gestão do porto e da ria esteve sempre sob a tutela da administração central. Referiu ainda que os principais intervenientes na ria (marnotos e pescadores) nunca tiveram associações fortes.
