“Avenida de arte contemporânea”

Acervo do Instituto das Artes em Aveiro As obras cedidas pelo Instituto das Artes vão fazer de Aveiro um destino de interesse para os admiradores da arte contemporânea

262 obras de arte contemporânea, executadas entre 1960 e 2000, por alguns dos mais renomeados artistas plásticos nacionais, pertencentes ao espólio do Instituto das Artes, vão ficar expostas em Aveiro, na “Avenida de arte contemporânea”, a instalar no edifício da antiga Estação da CP, de acordo com o protocolo assinado, no dia 5 de Julho, entre o Instituto das Artes, a Câmara Municipal de Aveiro e a Universidade de Aveiro.

O Instituto das Artes cede, em regime de comodato e por um período de dez anos (que pode ser renovado por iguais períodos), as obras de arte à autarquia e à universidade aveirense. A autarquia, que fica com a tutela administrativa das obras de arte, tem a responsabilidade de acolher, conservar e expôr, temporária ou permanentemente, esse espólio artístico, bem como de definir o espaço para acolher esse acervo artístico. A Universidade fica com a tutela científica das obras de arte, o que implica promover o estudo e investigação do acervo, nas suas diversas vertentes, e ainda criar material informativo sobre esse acervo artístico.

O protocolo assinado entre as três entidades deixa em aberto a possibilidade do Instituto das Artes poder ceder mais algumas obras de arte, para além destas 262, metade das quais chegarão a Aveiro até ao final do corrente ano.

Para o presidente da câmara municipal, Élio Maia, a instalação em Aveiro desse acervo de arte fará da cidade um centro de difusão artístico de âmbito nacional, o qual será “uma alavanca para aprofundar os hábitos culturais dos aveirenses” e contribuirá para cativar turismo internacional, reforçando “a importância turística e cultural de Aveiro”.

O vice-reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, realçou o facto desse espólio artístico ajudar a criar “centralidades em Aveiro, que fomentam o desenvolvimento da cidade”, até porque, como sublinha, “os acervos são sempre vivos” e “podem-se desenvolver”, mas, acima de tudo, “devem ser estudados”.

A escolha da cidade de Aveiro para acolher este acervo é, no dizer do director do Instituto das Artes, Jorge Vaz de Carvalho, um reconhecimento do trabalho e do empenho demonstrado pela universidade e pela autarquia aveirenses. Este é, em seu dizer, um “projecto estruturante”, que visa “fidelizar o público da região Centro para a arte contemporânea”. No entanto, o responsável pelo Instituto das Artes vai ainda mais longe, ao apontar metas ambiciosas para a “Avenida da arte contemporânea”, entre as quais se destaca o estabelecimento de “redes de permutas com organismos congéneres estrangeiros”, de modo a “promover a arte portuguesa no estrangeiro”.

O secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, afirma que a criação de um centro de arte contemporânea em Aveiro se insere no projecto cultural que quer ter “várias polaridades no país”.